sexta-feira, 27 de outubro de 2017

O que faz você feliz?



Meus leitores:

Prometendo terminar em breve o meu período de alegorias gastronômicas, cumprimento a todos os meus leitores dizendo BOM DIA!

De que DELICIOSO CAFÉ DA MANHÃ ESTOU DESFRUTANDO! Aqui tem, além do tradicional café com leite, geleias servidas com torradinhas e biscoitos deliciosos.

Esta é uma alegoria dos nossos desejos constantes de poder viver com alegria, sempre felizes, usufruindo o melhor da vida... E eis que lá vem o “mas”: –  Que pretensão, D. Nida! Isto já é querer demais da vida!

E eu, humildemente, respondo que “QUERER É PODER”. E é o que quero hoje transmitir a vocês é o que eu almejo da vida...

E eu não desejo tudo, mas tão-somente o que a vida me oferece; aceitando os cafés amargos que não são poucos, mas sempre cheia de esperança de que o amanhã será melhor e assim o nosso viver fluirá com mais facilidade, pelos tão tortuosos caminhos.

Atentem que eu sempre falo em esperar com calma e esperança o dia de amanhã. Pois vocês não podem calcular o que a vida, tão linda, me proporcionou hoje...

Pois hoje recebi o maior presente da minha vida! E que presente singelo, dado com o coração aberto...  simplesmente, um telefonema!!!

Obrigada, vida! Agradeço por ser contemplada por você com tanta bondade.

Até o nosso próximo encontro literário!

...  o dia era 12 de outubro de 2017.

Nida del Guerra Ferioli (96 anos) é Conciliadora e Mediadora de Conflitos (formada em 2014);  Professora de italiano; Autora dos livros “Vivendo a Vida” e "Le Ricordanze" . Colunista do “Papos de Anjo”, na página literária Boca a Penas (BAP). É mãe de Eliane, avó de Marcello e Valeria e bisavó de Thais e Maitê.



quarta-feira, 11 de outubro de 2017

TARJA PRETA


Não tenho dúvidas, para ler Daniel Velloso é preciso receita.

Começando pelo excelente projeto gráfico da Scenarium, o livro merece uma exposição e, se possível, uma internação.

Ao contrário do autor, não é um livro que nasceu de oito meses, nele dá pra perceber que lá se vão alguns anos de luta com ideias e repelões a estas.  Grande mergulho no negrume subjetivo de nossas próprias tristezas e mal-entendidos.

- Ah, então o livro é triste?

- Porra nenhuma, o livro é um salto no “precipício ao início”, para usar seu arremate ao título.

Tem cabeça no ombro, no travesseiro, virar pro lado e continuar a sonhar; tem esquizografias, esquizofrenias e dores do mundo; tem de tudo agasalhado por avalanche inigualável de palavras, conceitos, gemidos, sussurros e de onde se escapa o desmaiado esboço da figura do autor.

- O autor?
...
- Perdido num emaranhado de Amor, Sentimento, Exclusões, Achados e Perdidos, assim vai...

Há Rivotril – as tais pílulas de merda – e mulher-violão desfilando por recônditos desejos naquela praia iluminada pela alegria dos outros, sem esquecer os pintores de rodapé e choros convulsos no escurinho com Natalie Porter.

Há também o silêncio desejado-fingido-do-passeante, diante das criancinhas que dormem sobre folhas de jornal e se cagam diante do mundo acanalhado-burguês a desfilar seus consumos, educações e formalidades, enquanto se prepara para o mais recente assalto aos cofres públicos.

Mas, há que ir à confissão shopenhauriana, de pessoas sempre amáveis a tocar nas feridas alheias, a gritar suas verdades vorazes, esbravejando seus manuais de vida, com remate de último recado:

Acho que você leu e nem percebeu. E agora? O livro acabou...

Ops, mas tem ainda um resto de toco, um toco sozinho, um recadinho mordaz:


Já morri de amor,
já morri de rir,
já morri...


Já?







Caetano Lagrasta,

ao sair da terapia de apoio, em 10 outubro de 2017