sexta-feira, 3 de março de 2017

Não deixe o samba morrer...


A recente obra de Lira Neto, em seu primeiro tomo: “Uma história do Samba – as origens”, não esconde a vasta bibliografia e o excelente trabalho de pesquisa, a trazer consigo a mensagem de preocupação, mudança e otimismo – como irreverência – que à festa condiz.

Dispensado de enaltecer o estilo e demais atributos de obra de fôlego, há que relevar a narrativa dedicada a Noel Rosa, em suas implicações e submissão imposta por Almirante, quando participante do Bando dos Tangarás, além da descrição irrepreensível e contida da morte de Sinhô. Outras e muitas cenas mereceriam destaque, mas ambas se mostram suficientes para indicar o escritor e o trajetória árdua de Autor.

Quem dele conhece a biografia “Getúlio”, igualmente, dispensa maiores elogios e comentários.

Acresce, ao cabo, que a leitura durante o feriado de Carnaval, coincide com as mudanças alvissareiras impostas ao de 2017, a parecer que todos, carnavalescos, bloquistas, escolares do samba, foliões, rufiões, polícias e prefeituras, além de tudo e mais o restante, coincidem com a fala de Lira e o retorno do Carnaval às suas origens populares. E, desta forma, a se escapar ao confinamento imposto a mais esta Festa popular, por um inescondível domínio midiático daquilo que se convencionou chamar de “grande imprensa”.

O Carnaval retoma suas origens de alegria, devassidão, excessos e quejandos, como deve e como sempre foi e será; finalmente, o povo se liberta da escravidão dos vídeos e das cordas e invade cidades, às vezes, até, esparramando sem licenças o conteúdo de mictórios químicos.

O momento não pode ser melhor, quando atravessa o país mais uma crise de governança, corrupção, obscurantismo e incapacidades diariamente postas a nu – como ao seu rei e seus acólitos – expoentes de sem-vergonhices condizentes ao fim de qualquer império.

Voltam os foliões, fantasias e máscaras ao deslumbramento e à veracidade que, às caras-limpas, não conseguem escapar os colarinhos sujos e os punhos puídos.

Ô abre-alas que eu quero passar!

Caetano Lagrasta


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