sábado, 28 de janeiro de 2017

PAPOS DE ANJO: Entusiasmo, por Nida del Guerra Ferioli

Street art de Natalia Rak


Entusiasmo! Amigos e amigas, sim: abrigue-o em suas vidas. É ele quem nos ajuda a vibrar mais, pelos sucessos que alcançarmos em objetivos  predeterminados.

Não nos devemos entusiasmar, porém, somente pelos nossos feitos mais importantes; mas sim, pelos pequenos sucessos diários, que tornam a nossa vida mais completa.

Eu me entusiasmo ao saber que tenho um novo livro para ler.

Eu me entusiasmo ao fazer um bolo, e saber que ele será apreciado.

Eu me entusiasmo ao saber que uma minha querida amiga vem me ver.

E por falar em visitas, quero contar a vocês, meus leitores, o quanto me entusiasmei, há poucos dias, ao receber em minha chácara doze das minhas amigas, ex-alunas de Italiano: a alegria e o entusiasmo tomaram conta do nosso grupo; e então cantamos, conversamos, rimos muito. Foi muito divertido! 

Então cheguei à conclusão de que nunca devemos deixar de levar a vida adiante com muito entusiasmo, não só naqueles momentos importantíssimos, mas e, principalmente, nos pequenos detalhes da nossa existência, que talvez ninguém mais perceba e que, porém, para nós, faz toda a diferença e nos proporciona  motivo suficiente para prosseguir nossa jornada.

Vamos ser entusiastas neste ano que se inicia, usando este adjetivo em nosso benefício.

Obrigada por lerem esse meu artigo.


Nida.

NIDA DEL GUERRA FERIOLI (95) é Conciliadora e Mediadora de Conflitos (formada em 2014); 

Professora de italiano; Autora do livro “Vivendo a Vida”

e escreve mensalmente a coluna "Papos de anjo" no Blog do Boca a Penas.

terça-feira, 3 de janeiro de 2017

OITO PERGUNTA A PENAS com ANA FARRAH BAUNILHA


Ana Farrah é gaúcha de 1981. Teve sua escrita notada nas redes sociais quando seus textos começaram a ser publicados em blogs e em diversas revistas eletrônicas de literatura contemporânea do Brasil e de Portugal. Participou da coletânea de contos Sete Pecados, pela editora Scenarium Pural e da Antologia Contemporâneas na Revista Vidas Secretas, editada por João Gomes. Participou da coletânea ESCRIPTONITA, pela Editora Patuá, 2016. Autora do livro Orquídea Trepadeira e outras flores ordinárias, pela Editora Benfazeja, 2016. Publicou poemas também no Livro da Tribo, pela Editora da Tribo. É colaboradora/curadora na Malarmargens, revista virtual de poesia e arte contemporânea. Escreve poesia sarcástica, mas transita entre outros estilos. Ana no momento trabalha  com  estética e escreve nos intervalos entre uma massagem e outra.
"Ana Farrah é uma amante insaciável. Sua poesia suja e debochada desconstrói a seriedade já tão entranhada no velho mundo."  - Diego Moraes.



Tô o cão, hoje
amanheci faminta
louca por um sim
mas recebi o soco de um não
vou usar meu desaparecimento estratégico
meu silêncio selado à vácuo
chuparei essa manga
engolindo o caroço
quebrarei a louça por tédio
sem fazer dramalhão mexicano
mas por hábito das mãos estabanadas
distraídas da função de mão
me corto me queimo machuco
dois, três dedos
nem registro a dor
seguro coisas
e não as sinto nem vejo
que a qualquer momento
escaparão da boca ao chão
como acontece sempre
com tudo aquilo que tentei segurar
uma vida todinha tentando segurar
e um polegar opositor deficiente
AFB



BAP1: Quando você começou a escrever poesia? Quais foram suas influências?

Ana Farrah: Tinha 13 anos quando ganhei uma agenda chamada Livro da Tribo, onde descobri poemas e poetas geniais, como Líria Porto, Lau Siqueira, Alice Ruiz e Leminski. Comecei a escrever mais por imitação do que por talento. Depois veio a Ana Cristina Cesar e, fora a parte do suicídio, eu quis ser como ela.

BAP2: Debochada, suja, mal falada e sem compostura... No universo da Ana literária, são estas as representações do feminino?

AF: Dispenso estes rótulos. Considero qualquer intenção de rotular a minha escrita como falha. Disseram que faço poesia erótica, erraram feio. Sou debochada e desbocada, isso é verdade, o que pode transparecer nos poemas. Faço composições estratégicas entre poesia e imagem, geralmente uso fotografias sensuais pra ilustrar os textos na rede social e fazer chamariz, isso incomoda as pessoas. Quem só enxerga as imagens e não absorve o contexto implícito, considera tudo pornografia. Às vezes o texto é pra falar da FLOR, mas a foto tem uma moça com os dedos no umbigo. As pessoas não entendem!

BAP3: Quais foram as suas leituras preferidas e quais os livros que ainda gostaria de ler?

AF: A obra de Mario Quintana me abriu vários caminhos, a escrita do Luiz Fernando Veríssimo me influenciou deverasmente. Depois descobri escritoras contemporãneas sensacionais que me marcaram pro resto da existência: Carla Diacov, Ana Peluso, Nina Rizzi, Bruna Beber, Ana Rüshe, Ivana Arruda Leite, entre outras. Ainda quero ler uns machos de respeito, como o Nuno Ramos, Mike Sullivan, Santiago Nazarian e os gringos dos quais não tenho referência alguma e sempre fico de fora nas conversas.

BAP4: “O resto é perfumaria e maquiagem”... Na realidade que permeia a sua obra, você se sente censora ou vítima?

AF: Vítima, sempre; porque minha vida foi regada de injustiças. Tenho vários textos trágicos, historinhas cruéis baseadas em acontecimentos reais sobre abuso, violência, humilhação, machismo. A mulher que consegue se abster de falar sobre faz uma opção, nem por isso está livre de vivenciar as injustiças.

BAP5: A literatura erótica contemporânea está, na sua opinião, ganhando o espaço merecido?

AF: Acho que estão é abusando do erótico, jogando a poesia erótica no asfalto, tanto que se perde o sensual da escrita, virou escracho do esculacho, não gosto. Fala-se muito em 'jorros', em 'gozos', em 'gemidos e estocadas fortes', essa literatura pingando porra não me convence, me parece um ensaio fraco na expectativa de um adolescente que um dia vai perder a virgindade no puteiro.

BAP6: Marquês de Sade e Gregório de Matos, o ‘Boca do Inferno’, teceram através de sua literatura erótica, satírica e afiada o retrato da vida e da cultura do seu tempo... O ‘lado amargo da Baunilha’ busca tecer um panorama da nossa in-civilidade?

AF: É um panorama pessoal, de tragédias íntimas, que me fizeram amaldiçoar os homens na poesia, apesar de amá-los. O 'lado amargo' é meu lado BRUXA, rogadeira de pragas, que sente uma fúria mortal e deseja sim, a morte do amor opressor: esse ódio está implícito até nos meus poemas mais 'bonitinhos'.

BAP7: Se a poeta Ana Cristina Cesar fosse viva e você tivesse a chance de dedicá-la um poema seu, qual seria?

AF: Dedicaria um poema do meu livro de estreia Orquídea Trepadeira, em que uso seu 'risinho modernista' pra falar do que aparento ser e do que sou realmente:

aí que me dizem
tão avançadinha,
'prafrentex'
risinho modernista e tals
mal sabem...
da avó que me habita
da tia véia que mora em mim
das comadres espiadeiras que me movem
sou assim, tão antiquada e disfarçada
que na rua, quando me apontam
procuro meu guarda-chuva imaginário
de bater na cabeça dos muleque
quando falam bestagi
e guardo, com a devida espera das moças
antigas
meu veuzinho de noiva...
é que sou e sempre fui
moça casadoira


Ana F

BAP8: Você já tem um plano ou tema para a sua próxima publicação?

AF: Sim, tenho. Será poesia, seguindo a mesma linha: yakissoba com farinha. Com menos palavrão e mais amor, que eu ando bem romântica e menos rancorosa.




__ entrevista realizada por
Chris Herrmann e Adriana Aneli