terça-feira, 29 de novembro de 2016

Lançamento do livro Magia do Tempo, de Nilza Freire



No dia 19 de dezembro de 2016, será lançado o primeiro livro de poesia da poeta carioca Nilza Freire no Rio de Janeiro, da Editora Rede Sem Fronteiras, com ilustrações inéditas da artista plástica mineira Cristina Arruda.


Livro Magia do Tempo
Lançamento com coquetel no dia 19/12/16 de 19 às 22 h.
Local: Livraria Prefácio/Botafogo - Rua Voluntários da Pátria, 39 - RJ
 


Nilza Freire Lourenço é poeta, tradutora, Bacharel em Direito pela UFRJ e Analista Judificário no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro. Participa e frequenta Saraus de música e poesia, sobretudo o Corujão da Poesia. Ama também a fotografia, artes plásticas e todas as formas de expressões artísticas. Participou de diversas antologias poéticas. Neste ano de 2016 recebeu o primeiro lugar na categoria Literatura do "II Concurso Letra & Imagem - São Paulo, 2016".




Um poema do livro:

Anjos Também choram - Nilza Freire
Não devemos olhar para trás nem sonhar demais
Mas crescer dói, como dói, desprotege
É como um anjo que tropeça nas nuvens e chora
O anjo também chora quando o sino badala e o encanto acaba
Há sempre um momento que se inicia enquanto um outro se cala
O silêncio contrito encerra um segredo, uma lembrança
São sabores e odores frescos vindos diretamente da infância
Época de luz e amor, Natais, festas
Alegrias que ninguém contesta
Delas devemos nos alimentar quando a tristeza sobrevoar
E quando aquela música linda tocar você também pode cantar,
E talvez dançar, relembrar,
Sorrir e continuar a viver,
Se sofrer, chore, afinal,
Os anjos também choram.
 
Ilustração de Cristina Arruda

domingo, 27 de novembro de 2016

Descobrindo os meus... os nossos medos






Desde o nascimento,  ao ver a luz, gritamos e choramos. Por quê? Talvez porque a primeira sensação que sentimos ao vir ao mundo seja o MEDO.

E assim a vida nos leva, quando crianças, a um misto de medo e amor pelos próprios  pais e professores ... O tempo passa e modifica a qualidade do medo, mas ele segue nos atormentando, ainda que não nos apercebamos de sua presença.

A infância, a adolescência... e o danadinho do medo se disfarça e continua lá, cada vez mais sentido – sim, porque essa é a época mais difícil e maravilhosa ao mesmo tempo!

Vivendo intensamente todos os momentos, chegamos à idade adulta: ora alegres, ora tristes... e medrosos, sempre procurando ser felizes e driblar as arestas desta tão discutida vida para, então, chegar à velhice – ainda cheios de dúvidas.

Absorvo tudo o que se fala a respeito deste período polêmico e ainda que esta explanação pareça um tanto amarga, quero mesmo neste encontro é dar um grande “viva à vida”! 

Apesar das minhas inquietações, estou certa de que todas as sensações que vivenciamos ao longo  dessa bela jornada de alegrias, tristezas, medos e receios nos dão a capacidade de transformação: nós, seres humanos, podemos modificar o pior para o melhor.

Se mudamos o rumo dos nossos medos, superamos os dissabores e, em troca, experimentamos nossas realizações pessoais: a formação profissional, a família, enfim, passamos a viver a vida plenamente, desejando que o melhor nos aconteça.

Para que o medo seja banido de nossas vidas e dê lugar à confiança é preciso dizer, simplesmente: EU SOU FELIZ POR ESTAR VIVENDO.

Obrigada, meus leitores!


Nida 

NIDA DEL GUERRA FERIOLI (95) é Conciliadora e Mediadora de Conflitos (formada em 2014); 


Professora de italiano; Autora do livro “Vivendo a Vida”. 

terça-feira, 22 de novembro de 2016

POKER CARDS ON FIRE

Impressões:
Damas de Espadas & Valetes de Ouro - Memórias Embaralhadas
por Adriana Aneli




Pois é disto que se trata em Damas de Espadas & Valetes de Ouro: instantâneos do cotidiano, independentes, mas que parecem encadeados, como capítulos de uma história ainda mais densa que vai ganhando detalhes e personagens à medida que se desenvolve. Mas é uma viagem que não acaba.”
Luiz Vita & Lurdinha Garibaldi

Cinco dias de férias. Escolhi praia. Porque em férias de azarado sempre chove, pensei logo em carteado. Não jogo cartas. Coloquei na mala um livro de contos do baralho.

A experiência de Leonel Prata (2009) se repete em 2016 no coletivo Damas de Espadas & Valetes de Ouro – Memórias Embaralhadas (Ed. MGuarnieri). Pelo apurado projeto gráfico de Marcílio Godoi – que assina também a carta-capa – escritores e ilustradores desfilam em catorze pares.

Também o destino atuou na composição das duplas artísticas: as damas e os valetes se encontraram por sorteio... Alea jacta est!

Um fio condutor compõe cada página: espectros de memória nada inocentes, lembranças do corpo e da sexualidade primitiva. Os naipes não são sempre os mesmos. Há histórias sobre a crueza da vida, outras de sensualidade mortal, o amor, a alegria desencontrada.

Da caneta aguda de Adriane Garcia nascem homens e mulheres disfarçados de esperança e é assim que se escapam (escapamos) deste sem-saída-país que nos habita. Na sujeira e na beleza que ela nos conta, a vertigem se completa nos traços generosos e futuristas de Rômulo Garcia.

A próxima a dar as cartas é Denise Ribeiro e é aí que o coração dispara entre o nostálgico e a modernidade, entre as possibilidades de... e o peso imenso do nunca, este agigantado no meio da sala. É Negreiros quem esfuma os contos de riso e, no momento seguinte, os preenche de solidão.

A rodada é de Líria Porto, poemas que transformam cassino em cabaré; com Jean Galvão, a dama canta e rodopia seu humor, a saliva quente, o hálito de uísque – traços tão familiares quanto a lírica da autora.

E porque o Brasil é uma festa, chega Maria Balé com sua prosa diamantada, decidida a criar outro jogo dentro do jogo. Ela blefa. Seus personagens nunca são o que parecem ser (ou vice-versa?). Mas como tem coisa que só se aprende jogando, Paulo Caruso paga a aposta, pleno de cumplicidade.

Marilena Montanari e Michele Iacocca escolhem cuidadosamente as cartas de abertura: a memória aqui muda de velocidade para que os adversários não prevejam suas jogadas. Com eles, desfrutamos da infância, da vida adulta, da terceira idade, com a condescendência do olhar bem humorado sobre a vida. Amém.

O clima se adensa com Suzana Montoro e Henrique Montanari. Somos avisados em abismos de ideias e maquiagem borrada: a vida é um jogo de ganha e perde, mais desencontros que encontros... Não à toa nos deparamos com o desenho da carpa da página 77: a longevidade, a coragem, resistência... a perseverança.

E se é preciso persistir, a prosa articulada de Vivina de Assis Viana e as charges singulares de Orlando Pedroso são motivo para continuar por estas páginas. Da história que Vivina não apagou – para minha sorte – guardo: “Essa noite eu tive um sonho muito bom, tinha um defeito: era mentira”. Amanhã, como todos os dias vou sonhar mentiras, “acordar às cinco. Acordar não, ser acordada. Deus ajuda quem cedo madruga”. É. Na verdade, isso dói – por sorte, ainda sobraram alguns dias de férias.

(Não, não teve um só dia de chuva nesta semana. Equilibro meu livro enquanto tomo água de coco. Não se levanta da mesa com cartas boas nas mãos e, por isso, trago o livro à praia comigo).

A vez é de Antonio Barreto e Silvana de Menezes... Com eles, mergulho numa simbiose. É curioso ver como a memória cotidiana de Barreto ganha intensa afetividade nos traços de Silvana... Isolados funcionam muito bem; somados, multiplicam-se em significâncias.

Na memória afetiva permaneço: conflitos de Jacques Fux e desenhos macios de Luiza Nasser confessam um passado que tanto amedronta quanto enternece. As descobertas.

Sequência real: João Anzanello Carrascoza e Cristina Arruda - sutileza, delicadeza, sensualidade, generosidade, compreensão. Melancólico mar e suas ondas: a palavra sede, a fome, nossa primeira morte.

É Jorge Nagao quem corta as cartas para Tereza Yamashita distribuir suas alegrias: o resultado é a adrenalina de poéticos-trocadilhos que é tão Jorge (e que eu adoro, Salve!) e de frenéticos cupidos, riscos, rabiscos que é a digital de Tereza no coração da gente.

Hora de por ordem na mesa! E chega Leonel Prata - organizador e um dos valetes de ouro - que vai logo puxando cadeira, chamando pro jogo, sem firulas ou preciosismos literários. É mesmo uma delícia bater papo com o autor, enquanto o instantâneo da história vai se revelando, camada após camada, no apurado processo de interpretação da ilustradora Erica Mituzani.

A dupla Luiz Bras e Natalia Forcat é sensorial: dá gosto de ler e vontade de tocar os desenhos lambuzados pela memória do autor: “Eu estou apaixonado, cara mas também estou muita assustado”.  Quem disse que ler não vicia?

Mas todo o fim tem seu começo e Marcílio Godoi chama sua dama Juliana Cordaro para fechar com chave de ouro – ou de espada. E a gente mesmo se absolve de todos os pecados que deixamos de viver e que bem que viveríamos se nos fosse dada a chance de voltar um pouco no tempo.

É isto: em memórias embaralhadas não há truques; as cartas estão todas na mesa. O momento é tenso – aos leitores cabe a decisão de jogar ou desistir. Eu arrisquei e li até o fim. Ganhei.

Adriana Aneli
___________________
Damas de Espadas & Valetes de Ouro - Memórias Embaralhadas pode ser adquirido na Livraria Cultura ou direto com seu organizador Leonel Prata.


sábado, 19 de novembro de 2016

Alameda das sombras, o novo livro de Marcelo Moro

  


Antes do gosto Demi-Seco



“A liberdade literária é filha da liberdade política. Eis-nos libertos da velha forma social; e como não nos libertaríamos da velha forma poética? A um novo povo, uma nova arte”
...
” E lá vou eu andando na neblina, feliz

Victor Hugo... e Paulo Vanzolini

Marcelo Moro é um poeta romântico. Trabalha com a matéria dos sonhos: a energia interior do eu, o absoluto, o homem real em confronto com a sociedade. Mas isso não torna ultrapassada a poesia de quem tem o domínio da lírica, a difícil tarefa de domar tendências, para trazer, em forma de versos, o que gritam em grafites os muros e a música dos morros:

Ainda não gastei todos os meus adjetivos 
Nem fumei todas as coisas quanto queria 
Amei e me quebrei em mil pedaços
Quebra-cabeças jogado em um abismo 
...que, olhando bem:
Não passa dos joelhos... 
de um gigante caolho qualquer

Me feriram com pedras de funda 
...devolvi sopro etílico e fósforo riscado!

É este o fogo da boemia em seu livro. Promessas de amor que nunca se cumprem e, ainda assim, mantém aquecido o coração de um poeta forjado nas noites frias do fim do mundo. Ele sabe – nós sabemos – que entre a criação e a crise de uma vida que se nega a realizar, somente a paixão nos salva:

Estava fazendo cem anos
Quando te conheci
E te convidei para valsar comigo

Em sua Alameda, o eu lírico não deixa de dar as mãos ao ser real que o cria, essencialmente político...  Personagens reais e imaginários se encaram, velhos conhecidos, e sentam-se à mesa de um bar.  Há uma atmosfera de luz e de sombra, que percorre todo o livro; uma lua que nunca se acanha ao pairar sobre poemas e copos vazios; um velho Buk que discorre palavras sábias ao gentílico americanense que – apenas – sente. 

Há um trajeto a percorrer em seu livro. este homem que se despede da própria nostalgia para, despido de si e à mercê de gostos e gozos,  ganhar o mundo. Talvez, até, arrepender-se:

A tristeza exata do outono 
em minhas barbas brancas

Neste ensaio de dias e noites, o tédio é paz e a saudade traz a semente do recomeço:

E virá aquela chata semana... sem sal
Depois do Natal e antes das ondas...
dos beijos e de Iemanjá
Antes do gosto Demi-Seco
...enquanto não se começa
de novo e de novo!

Quem caminha por esta travessia descobre, não poucas, as musas que inspiram o olhar do poeta. Misto de anjos e prostitutas, chegam-se todas ao seu jardim, desde a Cortesã do meu coração/...que aceita todas as pagas em leite e mel” até aquela que “Conserva seu medo e seu sopro.../ E, quando passeia em meus jardins/Faz meus pensamentos... sujos!”.

Eu reconheço todas elas: máscaras sobrepostas ao rosto do escritor. Na poesia, tudo é a arena em que se colhem almas. E fica apenas quem sabe jogar.

Pelas alamedas de Moro, passeia minha alma pagã... “Me instiga o seu silêncio,
A forma de deslizar pelos azulejos da minha alma/ Essa ousadia de estar em cada gole de café...

Apfelstrudel... e café!”

(Esse vício tem nome...  e sobrenome)

Amém!


Adriana Aneli

...

Alameda das sombras é da Ed. Scenarium.



quarta-feira, 2 de novembro de 2016

OITO PERGUNTAS A PENAS com LÁZARA PAPANDREA




Lázara Dulce Ribeiro Papandrea nasceu em Pouso Alegre - MG, em maio de 1965. Formada em História pela UNIVÁS, pós-graduada em Metodologia para o Ensino pela UVA e Teoria Literária pela UFJF. Escreve desde 2010 no blog www.vestesdepalavras.blogspot.com. Participou da antologia “Sobre Lagartas e Borboletas” (ed.Tubap/Scenarium - 2015) e como coautora dos livros "Exercício de Olhar" FUNALFA -2011 e " Juiz de Fora ao Luar" editado pela Gryphon em 2015. Em 2016 lançou o livro de poesias "Tudo é Beija-Flor" (ed. Penalux).




não sou manto de águas calmas
nem tenho vocação para o pranto de
pequenas causas.
gosto dos estardalhaços.
de sentir dor na espinha de peixe
do meu inexistido rabo de sereia.
de cantar de galo
de galinha
de jogar bateia em rio inteiro
de não dar sossego a freio
vou, volto,
volto e meio.
parto, reparto, escamoteio comigo
pra ressurgir de tenro breve umbigo
como quem vive vida toda
num delírio no meio do nada
num delírio no meio do livre.

LP





BAP1: Escrever para você é uma necessidade? Quando e como você começou a escrever poesia? 

Lázara Papandrea: Escrever é uma necessidade em algumas fases, noutras não. A escrita não me vem como um padrão. Muitas vezes escrevo e abandono o poema por um bom tempo, depois volto lá e vou refazendo, remendando até que um dia o considere pronto, ou não. Comecei a escrever por volta dos oito anos, teve uma fase entre os vinte e os trinta, que acho que não escrevi nada, ou muito pouco. Comecei a escrever porque lia poesia desde cedo, gostava de ler poesia e isso despertou meu interesse pela escrita de poesia, mas também me arrisco vez em quando pela crônica ou pequenos contos.

BAP2: Fale um pouco do seu livro “Tudo é Beija-Flor“ e o que a moveu para escrevê-lo. 

LP: Tudo é Beija-Flor foi modificado muitas vezes, foi um parto difícil, eu não tenho muito jeito pra essa coisa de reunir e publicar. Foi mais o incentivo de alguns amigos e da Editora Penalux, que me levaram a ele. 

BAP3: Num país que vem enfrentando problemas na educação (principalmente a básica) há décadas, como incentivar a leitura, ao seu ver? 

LP: Tem que mudar tudo. Começar lá nos primeiros anos escolares com poesia, filosofia, sociologia, artes. Apresentar à criança, o mais cedo possível, o mundo metafórico. Gostar de ler a gente aprende lendo desde sempre.

BAP4: Quais são seus autores clássicos e contemporâneos preferidos (famosos ou não)? 

LP: É muita coisa pra citar, sou bem eclética. Gosto de Drummond e penso que foi Minas que me aproximou dele, assim como também gosto da mineira Adélia Prado. Descobri faz algum tempo Paulo Mendes Campos, gosto de Murilo Mendes, Cassiano Ricardo, amo Pablo Neruda. Atualmente ando lendo um pouco mais de Wislawa Szymborska. Fora os da prosa, os do romance...

BAP5: Você já participou de saraus? Acha ser um bom meio para incentivar a literatura no Brasil?

LP: Sim, já participei, já coordenei saraus, temos um grupo aqui chamado "Café com poesia e Arte" e de vez em quando nos apresentamos em alguns eventos. Ajuda sim a incentivar, principalmente quando conseguimos atingir ou ser ouvidos por um público não muito leitor, e isso vai depender muito do local onde esse sarau acontece. Creio que o bar, a rua, são os melhores lugares pra se ler poesia.

BAP6: Literatura em blogues e em redes sociais. Fale da sua experiência pessoal e o que você aconselharia para quem está começando.

LP: Acho ótimo um blog para divulgação, divulgar em páginas como o facebook também. Sei que tem gente que torce o nariz, que guarda tudo para um livro, que vê essa exposição como uma banalização da literatura, mas eu vejo como encontro com quem gosta de ler, com quem pode levar sua poesia, seu escrito, sua arte, adiante. 

BAP7: Muitos autores se queixam das dificuldades de publicar suas obras com grandes editoras. Por outro lado, sabemos da crise política e econômica que assola nosso país. Editoras alternativas são o caminho? 

LP: Penso que sim, até você mesmo se editar é o caminho. Hoje a divulgação é muito fácil, você só tem que encontrar o seu leitor e as redes sociais estão aí para isso também.

BAP8: Fale da Lázara em prosa ou verso... 

LP: Sou mineira, retraída, quieta, simples, ando descalça, converso com bicho. Fico apavorada em alguns eventos sociais que pedem uma produção mais elaborada. Gosto de conversar com o povo, de ouvir o povo, trabalho com vendas e escuto cada história incrível. Quero um dia ainda organizar um livro de crônicas ou contos a partir delas. Também já estive professora por uns 15 anos ininterruptos mas desisti, fugi, fiquei doente, exausta. Sou extremamente caseira e programa bom pra mim é aquele que me põe em contato com bicho, com mato, com natureza. Tenho sempre dez livros às mãos e tem dias que preciso expulsar os livros do quarto para tentar dormir melhor. 





__ entrevista realizada por
Chris Herrmann e Adriana Aneli