quarta-feira, 24 de agosto de 2016

Abece... de Caetano Lagrasta

Abecedário - contos - Caetano Lagrasta
Ilustração: João Baptista da Costa Aguiar


O que pretende fazer? perguntei.
Tentarei ver se a terra tem algo a me ensinar. respondeu.
Não precisa. Você carrega seus mortos, seus dias e suas noites, seus amores e traições; isto o perturba, pois a tudo aprendeu. Não lhe adiantou morrer.”
(H:  amers, marcas marinhas)



Encontrei Abecedário nos arquivos de Caetano Lagrasta. Antes, não passava de honraria pendurada no escritório em que eu lia “Prêmio Governador de Estado, 1967”. Abri a caixa, folha por folha... e li. Coleciono raridades, e encontrei mais esta; páginas que encapsularam o Tempo.

No Abecedário nada é por acaso; o autor não poupa leitores e personagens da angústia ou da humilhação.

A mesquinha realidade diária como cenário, homens e mulheres esmagados pela falta de perspectiva...  Cidade, máquinas, repartições públicas, a vida familiar, tudo pesa sobre eles, com o incômodo da alma que se agiganta e ainda assim deve permanecer em roupas e sapatos herdados dos irmãos mais velhos.

Em cada conto, a sensação de fim de domingo, quando a tardinha cai e o juiz apita o fim da partida: a engrenagem recomeça a triturar os homens. A custo, chegaremos novamente à sexta-feira – ... a noite passa tão depressa, mas vou voltar lá  pra semana.

Escrito nos anos 60, aos 23 anos de idade, cinquenta anos depois o livro nos deixa a certeza de que décadas e décadas não consolam dores humanas.

No Abecedário, amanhã é sempre segunda-feira.


Adriana Aneli



L A N Ç A M E N T O
Editora Scenarium
27 | 08 | 16, 16h
Biblioteca Mário de Andrade
Rua da Consolação, 94 - Consolação
Centro, SP

Nenhum comentário:

Postar um comentário