quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

EU SEI QUE VOU TE AMAR

por Caetano Lagrasta



Trata-se da Sinfonia do samba-canção composta por Ruy Castro, cantada, orquestrada e composta por centenas de brasileiros que reencontramos na história de suas histórias.

Narro algumas vontades e ao menos um temor explícito, que me chegaram, sendo que um deles realizei.

Vamos lá: vontade de abrir, não uma caixa (boate), mas um pentagrama (melhor seria um engradado?) que retome a música brasileira, cujo falecimento não tem sido noticiado, mas que enterrada já está de alguns anos. Algo na linha do Scotch Bar, daquele Rio, caixa mínima para vinte mesinhas e respectivos bancos de parede e banquinhos: o resto seria para copos e músicos, lógico que também para frequentadores num hercúleo revezamento, quatro x quatro. Ou seja, sessões musicais de quatro em quatro horas, das 19 às 7 horas, com uma hora de descanso.

O temor foi o de uma osmose: o marcador de páginas, lembrança escolar de minha neta Maitê a tudo olhava com cobiça, e pus-me a imagina-la na companhia de Doris Monteiro, Elizeth Cardoso, Dolores Duran, além de sambistas e compositores daqueles anos. Imediatamente, senti arrepios de que ela por esta vida louca se apaixone. Por via das dúvidas, dispensei o tal marcador e enfiei-o no vão da orelha da contracapa, fazendo por cima um sinal da cruz.

Um desejo cumpri: tentei por primeira vez repetir o “picadinho do Copa”, aquele picadinho de filé, com temperos à larga e salpicado de músicas estritamente selecionadas para ocasiões de libações extremas. Devo de lhes dizer que ainda não fiquei satisfeito, mas creio que poderemos repeti-lo em sábados festivos, com hora de começo e de fim incerto.

O livro, para os desavisados, trata-se do “A noite do meu bem – A história e as histórias do samba-canção de Ruy Castro (Ed. Cia. das Letras, SP, 2015).



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