quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

Escrever direito – não o curso

por Jorge Nagao

Chiquinho Brandão: professor Parapopó - Bambalalão, 1984.


Escrever está na moda – não a das passarelas. Quem não recebe e-mails e tem que responder na bucha – não aquela de tomar banho.

Para escrever um bom português – não aquele da padaria – é preciso técnica – não a assistência.

Cada oração – não aquela antes de dormir – clama pela palavra precisa para que a frase fique clara – não aquela do ovo.

É bonita a nossa língua – não a da boca – sonora, rica e generosa. Mas basta um pequeno escorregão para você cair na boca – não juniors – do povo.

Escrever direito – não o curso para futuros advogados – significa ser direto e simples – não o imposto da pequena empresa. Curta a frase curta. Evite o chavão – não aquela chave pesada do presídio – assim você encanta e prende – não o criminoso – mas o leitor.

Cuidado com a regência – não aquela de D.Pedro I – que é a rainha dos erros nas redações – não as dos jornais – mas dos alunos de escola pública e privada – não aquela...

Para escrever bem – não é você, meu bem – faça com que a sua redação seja concisa, enxuta – não a lavadora. Portanto não encha linguiça – não a toscana – se não ela será tosca e sem charme – não o cigarro.

Na hora de escrever tenha rigor – não trajando um smoking – mas usando o bom senso porque a elegância do texto vem do seu interior – não o de Minas.

Para continuar a escrever bem é preciso ler sempre um clássico – não o Fla x Flu – mas sim um da literatura universal – não a igreja – ou um jornal que não dá pra não LER – não DORT.

Erro de concordância, em grau, número e gênero – não o alimentício – é humano – não o das minas. Derruba até o mais experiente redator de coluna – não a lombar – e o de crônica – não a doença.

É sempre bom salvar o texto mas é bom saber que um texto ruim nem Cristo e Cia. – não a Vale do Rio Doce – salvam.

Aplicadas as dicas deste palpiteiro, você poderá desbancar o Coelho – não o da Páscoa – e tirar de letra qualquer trabalho que pintar – não o quadro. Só não se esqueça da minha comissão: um terço – não aquele de rezar, oras! Amém – não do-in. E ponto final – não o do ônibus.


Jorge Nagao é escritor e jornalista

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