terça-feira, 22 de dezembro de 2015

A BONDADE


Como é bom ser bom!

Vocês notaram como é bom e reconfortante fazer o bem?! 

Ao praticar um ato de bondade “que deveria ser feito no nosso dia-a-dia” o meu eu fica mais sereno, mais tranquilo, mais leve. Quantos benefícios a bondade nos traz!

E então, eu me pergunto; por que uma grande parte da humanidade faz exatamente o contrário? Por que tanta maldade, por que tantas ignominias são praticadas neste mundo? O que eu ouço como resposta é ... isto é fruto da miséria, da fome etc. etc.

Sim esses são elementos fortes para atos desesperados, mas além disso eu acrescentaria algo que me preocupa: a falta de fé, a falta de acreditar em um Ser Superior, que nos possa ajudar, orientar a alcançar pequenas vitórias, que tornam-se grandes, quando alcançadas.

Digamos, por exemplo; um modesto emprego, uma moradia digna, enfim, o mínimo para a própria existência.

Será que algo com uma pequena dose de fé em Algo Superior, o mundo não seria melhor?

Vamos então, com humildade e fé, pedir ao nosso menino Jesus, que nesse dia, dedicado à comemoração do seu nascimento Ele nos ensine a sermos pessoas melhores, sim, a sermos bons e aprendermos a praticar o bem e dizer sempre: Como é bom, ser bom! 

Um abraço e augúrios para um ótimo Natal!

Nida

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NIDA DEL GUERRA FERIOLI (94) é Conciliadora e Mediadora de Conflitos (formada em 2014); 
Professora de italiano; Autora do livro “Vivendo a Vida” 
e colaboradora muito especial do BAP

quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

EU SEI QUE VOU TE AMAR

por Caetano Lagrasta



Trata-se da Sinfonia do samba-canção composta por Ruy Castro, cantada, orquestrada e composta por centenas de brasileiros que reencontramos na história de suas histórias.

Narro algumas vontades e ao menos um temor explícito, que me chegaram, sendo que um deles realizei.

Vamos lá: vontade de abrir, não uma caixa (boate), mas um pentagrama (melhor seria um engradado?) que retome a música brasileira, cujo falecimento não tem sido noticiado, mas que enterrada já está de alguns anos. Algo na linha do Scotch Bar, daquele Rio, caixa mínima para vinte mesinhas e respectivos bancos de parede e banquinhos: o resto seria para copos e músicos, lógico que também para frequentadores num hercúleo revezamento, quatro x quatro. Ou seja, sessões musicais de quatro em quatro horas, das 19 às 7 horas, com uma hora de descanso.

O temor foi o de uma osmose: o marcador de páginas, lembrança escolar de minha neta Maitê a tudo olhava com cobiça, e pus-me a imagina-la na companhia de Doris Monteiro, Elizeth Cardoso, Dolores Duran, além de sambistas e compositores daqueles anos. Imediatamente, senti arrepios de que ela por esta vida louca se apaixone. Por via das dúvidas, dispensei o tal marcador e enfiei-o no vão da orelha da contracapa, fazendo por cima um sinal da cruz.

Um desejo cumpri: tentei por primeira vez repetir o “picadinho do Copa”, aquele picadinho de filé, com temperos à larga e salpicado de músicas estritamente selecionadas para ocasiões de libações extremas. Devo de lhes dizer que ainda não fiquei satisfeito, mas creio que poderemos repeti-lo em sábados festivos, com hora de começo e de fim incerto.

O livro, para os desavisados, trata-se do “A noite do meu bem – A história e as histórias do samba-canção de Ruy Castro (Ed. Cia. das Letras, SP, 2015).



quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

SELF-SERVICE

Impressões: Self no Cadafalso (Ed. Patuá, 2015)
de Edmilson Felipe



por Adriana Aneli


Self no Cadafalso (Patuá, 2015) é um livro simples. Como seu título propõe, é um instantâneo do desespero diário, a fé no segundo seguinte, que de antemão sabemos fatal.

Mas Self no Cadafalso não é um livro simples. Autorretrato de uma geração que tem pressa, mas que se perde em infinitas imagens – históricas e vazias – de si mesma: um ovo rosa-choque entalado na goela/e um arco-íris no peito clamando por um chope/.../sem colarinho. Nossa solidão, solidária.

Self no Cadafalso então é um livro simples. Intimida a si mesmo até proclamar a autoliberdade e o faz despejando autor e leitor na voz impiedosa do labirinto urbano: sem mapa da mina ou sorte do realejo.

Não: Self no Cadafalso não é um livro simples. Antropofágico, deglute, rumina até nos empurrar para a dolorosa consciência de que a vida, na verdade, é – deveria ser – simples: porque o mundo já foi engraçado/Porém, não sabíamos rir.

Um flash de felicidade, às vezes, tarde demais.


LANÇAMENTO:  17 | 12| 2015 - às 19h


Patuscada Café & Livraria

na

Rua Luís Murat, 40 - Vila Madalena

quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

Escrever direito – não o curso

por Jorge Nagao

Chiquinho Brandão: professor Parapopó - Bambalalão, 1984.


Escrever está na moda – não a das passarelas. Quem não recebe e-mails e tem que responder na bucha – não aquela de tomar banho.

Para escrever um bom português – não aquele da padaria – é preciso técnica – não a assistência.

Cada oração – não aquela antes de dormir – clama pela palavra precisa para que a frase fique clara – não aquela do ovo.

É bonita a nossa língua – não a da boca – sonora, rica e generosa. Mas basta um pequeno escorregão para você cair na boca – não juniors – do povo.

Escrever direito – não o curso para futuros advogados – significa ser direto e simples – não o imposto da pequena empresa. Curta a frase curta. Evite o chavão – não aquela chave pesada do presídio – assim você encanta e prende – não o criminoso – mas o leitor.

Cuidado com a regência – não aquela de D.Pedro I – que é a rainha dos erros nas redações – não as dos jornais – mas dos alunos de escola pública e privada – não aquela...

Para escrever bem – não é você, meu bem – faça com que a sua redação seja concisa, enxuta – não a lavadora. Portanto não encha linguiça – não a toscana – se não ela será tosca e sem charme – não o cigarro.

Na hora de escrever tenha rigor – não trajando um smoking – mas usando o bom senso porque a elegância do texto vem do seu interior – não o de Minas.

Para continuar a escrever bem é preciso ler sempre um clássico – não o Fla x Flu – mas sim um da literatura universal – não a igreja – ou um jornal que não dá pra não LER – não DORT.

Erro de concordância, em grau, número e gênero – não o alimentício – é humano – não o das minas. Derruba até o mais experiente redator de coluna – não a lombar – e o de crônica – não a doença.

É sempre bom salvar o texto mas é bom saber que um texto ruim nem Cristo e Cia. – não a Vale do Rio Doce – salvam.

Aplicadas as dicas deste palpiteiro, você poderá desbancar o Coelho – não o da Páscoa – e tirar de letra qualquer trabalho que pintar – não o quadro. Só não se esqueça da minha comissão: um terço – não aquele de rezar, oras! Amém – não do-in. E ponto final – não o do ônibus.


Jorge Nagao é escritor e jornalista

terça-feira, 1 de dezembro de 2015

OITO PERGUNTAS A PENAS com JANDIRA ZANCHI



Jandira Zanchi é poeta e ficcionista. Atuou no magistério no ensino de matemática e física em faculdades, colégios e cursos. No final dos anos 80 foi professora cooperante na Universidade Agostinho Neto - Faculdade de Ciências, Luanda - Angola. Em Curitiba por cerca de dez anos esteve na FAE - Bussiness School. Como poeta publicou Gume de Gueixa (Editora Patuá, 2013), Balão de Ensaio (Editora Protexto, 2007) e o livro virtual A Janela dois Ventos (Emooby, 2012). Tem lançamento para breve de Área de Corte com a  Editora Patuá. Entre outras antologias participa de Saciedade dos Poetas Vivos vol 1, Poesia para mudar o mundo vols. I e II do site Blocos Online, organizadas por Leila Míccolis,  e 101 Poetas Paranaenses- antologia de escritas poéticas do século XIX ao XXI, (Selo Biblioteca Paraná, 2014), organizada por Ademir Demarchi. Integra o conselho editorial de mallarmargens revista de poesia e arte contemporânea.



VENTAS FINAS

enquanto escuto a simplicidade do som
que o rodar da máscara – quase vazia –
do ranger  - corredor – de cada dia
repenso, sem lamento,
a crueza da orgânica sede de líquidos
presente em cada ausente

vazada em minha lâmina
curta – mal afiada – fagulha vermelha
de fogo brando (que vermelhas são as
ventas finas das estrelas frias)
debulhada ao redor de sondas e sonhos

esses sim amarelos e confusos de sua cupidez
vontade de armaduras e aragens

enfim, enquanto penso ou pareço
como a afinada maré dos desejos
sou una e fruída e gatuna
ou nenhuma naco e fato
dos factóides armados por
vagões contínuos de uma...
é, estúpida humanidade.

Jandira Zanchi  (Área de Corte)



BAP1: A física, a matemática e a poesia são filhas da filosofia; portanto, são parentes. A sua arte de poeta nasceu antes ou depois de sua atuação nessas duas ciências exatas? Nos conte sobre essa descoberta de si mesma.

Jandira Zanchi: O gosto pela literatura caminhou junto com a matemática e o encanto pela astronomia. No começo dos anos 80, depois de terminar a graduação em Matemática, estive em São Paulo (USP) para fazer o mestrado em Mecânica Celeste. Não concluí. Aos poucos fui entendendo que havia um rebuliço interno que precisava de outra expressão. Mas, foi apenas aos 37 anos de idade, no começo dos anos 90, que comecei a escrever poesia. Sem nunca ter lido e/ou gostado. Até hoje me surpreendo com o fato de, instintivamente, usar uma série de recursos que só depois, ao começar a ler poesia, entendi que são comuns ao arquivo maior desse ofício, que hoje me parece único e soberano.

BAP2: Mallarmagens é uma revista muito conhecida e reconhecida por seu valor. Nos fale sobre ela e sua importância no cenário poético e artístico. Quais os planos futuros dessa publicação eletrônica?

JZ: Mallarmargens é referência nacional em literatura. Tem um corpo editorial, editores, curadores e colaboradores fixos, diversificado e composto de alguns dos mais expressivos poetas do país. A revista tem de 1.000 a 2.000 acessos diários e funciona como antena da produção da melhor poesia brasileira. Sem definir ou limitar as linhas e expressões, pois engloba toda a poesia que pode ser reconhecida como poesia/arte, independente do gosto particular de seus editores ou dos grupos que aglutinam essa produção. O maior plano para o futuro é sempre o de manter a qualidade e imparcialidade pela qual é tão reconhecida.

BAP3: Você concorda com a seguinte afirmação: “poesia é uma ficção cheia de verdades”? Se sim, comente.

JZ: Claro que sim, e me parece até óbvio o motivo. Para criar boa poesia o poeta tem que “sentir”, abrir o “ser” para a dinâmica da vida e sua complexa ramificação de sensitividades e sensorialidades. Mas, poesia é uma atividade intelectual com qualquer outra. O consciente, esse ordenador e analisador do material bruto e espontâneo, interfere para a devida consecução do poema, mais ou menos, de qualquer maneira o poema dificilmente é produto só de razão ou emoção.

BAP4: Como você vem percebendo o atual panorama da poesia nacional? Qual a importância da internet nessa nossa realidade de hoje?

JZ: O que mais me chama atenção no atual panorama é a riqueza e variedade da produção poética. Nada está definido, a cada momento novos poetas estão nos surpreendendo. Eu me interesso principalmente pelos novos, que ainda não estão consolidados pela crítica. Se a internet ajuda? Claro, e muito, porque os talentos podem se polir e propagar. Também pode ser bem prejudicial pois a mediocridade encontra a mesma oportunidade de manifestação.

BAP5: Fale um pouco sobre a sua experiência, no final dos anos 80, como professora cooperante na Universidade Agostinho Neto - Faculdade de Ciências, em Luanda - Angola. Essa experiência influenciou sua criação?

JZ: Foi uma experiência interessante pelo contato, na época da cortina de ferro, com russos, cubanos, vietnamitas e europeus orientais. Éramos apenas em 4 brasileiros na Universidade. Embora mais protegidos, vivemos o medo, a insegurança e as dificuldades de um país em guerra civil. Também as contradições do socialismo, as diferenças de oportunidades e culturas. Seria um relato muito extenso. Pode ter influenciado no meu processo criativo, mas, não diretamente. Faço uma poesia existencialista, com cortes racionais sempre dividida entre  miséria emocional e o olímpico  da razão.

BAP6: O Brasil ficou na penúltima posição em um índice comparativo de desempenho educacional feito com dados de 40 países (fonte: g1.globo.com). Como você vê o papel do educador há 30 anos e nos dias de hoje?

JZ: O papel continua o mesmo, educar. A realidade mudou muito e pode-se, com ou sem ironia – como queira, dizer que mudou o educando, perdendo muito de sua educação, no sentido de boas maneiras, dificultando o exercício da função de educador que, em primeiro lugar, precisa ser respeitado para exercer sua função. Os principais motivos? O ingresso de uma massa que antes não tinha acesso ao conhecimento e que não tem em casa o condicionamento inicial para desenvolver processos abstratos; a democracia, que ao contrário das suas utopias, é crua e une no mesmo espaço, da rua e da vida, privilegiados e oprimidos; os meios de comunicação que bombardeiam esses desprivilegiados com o ópio do consumo; o desmascarar das formas que ficaram nuas nas suas verdade, ou você é dos que podem se dar bem ou vai ser o terminal dos processos sociais e carregar a entropia resultante.

BAP7: Mais ou menos na linha do “A poesia não salva o mundo, mas salva um minuto”, como disse a escritora portuguesa Matilde Campilho, você acha que a poesia pode salvar a educação?

JZ: Eu acho que a poesia pode salvar o mundo e que é sua principal resistência. Quando o deslumbramento com a tecnologia estiver mais brando vai ficar mais claro que desenvolvimento humano é aprimoramento e sofisticação de subjetividade. O que pode ser mais subjetivo e impulsionador do processo de individuação do que a poesia?

BAP8: Conte sobre seus livros. De qual você gosta mais, qual te deu mais prazer quando estava escrevendo, o mais difícil, o mais demorado... fale sobre essa trajetória literária.

JZ: Todos tem sua importância para mim. Aqueles de que mais gostei de escrever, os primeiros, são bem falhos em sua estrutura. Transformei-me no processo de escrevê-los. Literariamente o mais difícil, de um ponto de vista técnico, pode ser o melhor. Poesia por poesia... pode ser aquela que mais encanta as pessoas que não estão acostumadas com poesia... não sei... mas, se for assim, acho que A Janela dos Ventos que não teve edição impressa, só digital, pode ser esse livro.
 




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Entrevista realizada pela equipe do BAP.
Chris Herrmann, Lourdes Rivera e Marcelo Mourão