segunda-feira, 2 de novembro de 2015

OITO PERGUNTAS A PENAS com CRISTINA ARRUDA



Mineira de Belo Horizonte, Cristina Arruda é artista plástica e poeta, formada em ciências biológicas e odontologia pela UFMG. Artista plástica autodidata há mais de 15 anos, vive em Belo Horizonte onde realizou as exposições individuais "Universo Feminino" e "Rebento". Ambas no Centro Cultural Lagoa do Nado, além de exposições coletivas. Ilustrou diversos livros de poesia, como a antologia "Sobre Lagartas e Borboletas", organizada por Adriana Aneli, Adriane Garcia, Chris Herrmann e Maria Balé (ed. TUBAP/Scenarium, 2015) ; "Amor Expresso" de Adriana Aneli (ed. Scenarium, 2015) e outros. Entre os projetos futuros, está trabalhando na ilustração do livro de poemas "Gota à Gota" de Chris Herrmann (ed. Scenarium) que será lançado em 2016.
Fanpage no facebook: www.facebook.com/cristinaarruda





Rebento
As vezes paro
Penso nos meus traços
Absorvo
Mastigo
Rio
E choro
Acatando a dor e o riso
Que me provocam
Não tenho a vida inteira
Para os devaneios
Da minha linha
Mas marcarei em ti
Algo que salta de mim
Como um tinir penetrante



BAP1: O que começou primeiro em sua vida: a poesia ou as artes plásticas? Conte também para nós quando e como você começou a levar a arte ainda mais a sério.

Cristina Arruda: As artes plásticas, quando comecei a ver arte em tudo ao meu redor. Meu pensar passava sempre pela criação, cores, formas e movimento. Na escola onde dava aulas de ciências comecei a trabalhar com artes, estabelecendo entre os dois conteúdos um diálogo super possível.
Sempre desenhando muito até chegar nas ilustrações, que são mais recentes.


BAP2: Conte um pouco sobre seus 15 anos na área plástica. Você diz que é autodidata. Quem foi sua inspiração no começo? Todo artista possui uma referência. Qual foi a sua?

CA: Primeiro, meu pai que era alfaiate. Desenhava as roupas e eu, menina, sentava perto e observava ele desenhando, riscando com mil réguas e cortando e costurando os tecidos. Também tocava violão. Minha mãe bordava.
Depois o conhecimento dos pintores através dos livros que contavam sobre a obra e vida. Entre eles, Tarsila do Amaral, Picasso, Modigliani, Rodin, Camile Claudel, Portinari, Oscar Niemeyer, entre tantos. Livros estes que chegavam até a mim por uma biblioteca que vinha num caminhão até a região onde morava.
Penso que a arte nos torna melhores em todos os aspectos,nela exercitamos a liberdade e o amor.
A liberdade, quando nos permitimos criar sem medo dos riscos, e o amor que nos inspira, nos faz acreditar no trabalho artístico e nos ajuda a compreender nossa vivência artística.

BAP3: A partir do que pode nascer a sua arte? Nos fale também sobre o seu processo de criação artística. Uma obra nasce pronta ou precisa de um labor intenso depois da centelha (inspiração) inicial?

CA: O processo se inicia na vontade de dizer algo, se expressar, ter voz no mundo. Tem base sólida nas lembranças da infância e se completa com as observações do cotidiano. Então junta-se ao desejo um papel, uma caneta e nasce a ideia que se desenvolve à medida que se torna uma imagem que observo. E aí já há um diálogo neste fazer artistico entre mim e a obra. Soma-se a isso tudo as técnicas que apóiam a criação.

BAP4: Como você tem visto o panorama artístico em Minas e no Brasil? A internet ajudou na multiplicação/visualização destes artistas e de suas inúmeras obras?

CA: Sim. Facilitou muito na visualização de artistas, como eu, que nao estou no eixo mais contemplado pela mídia.
Acho que ainda precisamos de democratizar os espaços culturais existentes, no sentido de novos artistas poderem colocar suas vozes através de suas obras e também criar novos espaços para exposições.

BAP5: Para quem está começando a mexer com arte agora, há pouco tempo, quais dicas você daria? Existem conselhos a dar ou cada qual que ache seus próprios caminhos?

CA: O caminho é de cada um. Mas minha sugestão é que se expressem sem se preocupar com a crítica e exercitem o fazer artístico. O amadurecimento vem naturalmente.

BAP6: Fale um pouco sobre como concilia vida pessoal e vida artística. Você tem uma rotina específica para criar? Dizem que os artistas devem ser bem disciplinados...ou você vai para as suas telas quando chega a inspiração?

CA: Considero os momentos de produção artística abençoados e gosto da solidão necessária nesses momentos. Mas me pego desenhando em guardanapo de restaurante, parando o carro pra anotar uma idéia, pois a inspiração está nas lembranças e no cotidiano e pode vir a qualquer momento. Disciplina é importante em qualquer atividade e também na arte.

BAP7: Existe alguma regra para se colocar um preço em uma obra? Como você encara esse momento da venda? Dá uma dorzinha no coração se desfazer de suas obras?

CA: Dá um pouco sim. Cada trabalho tem características próprias, mas entendo que é necessário que o trabalho seja visto por várias pessoas. Ele tem vida própria e deve cumprir o papel de emocionar as pessoas e levá-las à uma reflexão, além de despertar os sentidos e o gosto estético.
Quanto a valores, acho um momento difícil mas necessário, posto que o trabalho artístico deve ser valorizado financeiramente, sem dúvida.

BAP8: Quais são seus projetos para o futuro?

CA: Continuar desenhando, pintando, ilustrando livros. Curtindo meus filhos, livros, música e amigos. Aprimorar meu canto e minhas composições. Levar a vida sem dureza, prefiro a suavidade.




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Entrevista realizada pela equipe do BAP.
Chris Herrmann, Denise Moraes, Lourdes Rivera e Marcelo Mourão


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