domingo, 1 de novembro de 2015

Impressões: O quarto amarelo, de Vera Ione Molina



Bêbados a enxergar luzes de estrelas mortas


O livro de Vera Ione Molina “O quarto amarelo”, deste ano, pela Editora Bestiário, trouxe-me a honra de breve resenha.

Ei-la.

Gostei. E se de um tanto me regalei; doutros me senti distante daquele Sul que pouco conheço: lástima.

Esbarrões em letras de músicas, em sambas que conheço e muito gosto, em menções honrosas a escritores americanos, latinos, que forjaram o mapa e os rios deste Continente que são como veias de um corpo inteiro estendido, no verso sentido de Daniel Viglietti.

As bonecas: a do quarto amarelo e as da hóspede; aquela me fez recordar Quiroga e sobressai em deliciosa leitura; as outras nos arrebatam em gesto de terna amizade.

Me gusta, mucho, a intromissão da língua irmã e próxima, a lastimar que não consigam os hermanos compreender, num exercício de quase reciprocidade, patavina deste nosso português, a aumentar o isolamento continental: pena.

A autora – em licença de cantiga de amigo – ficciona – se livrar do casamento ao atingir o júbilo da aventura, distante, na Calle Balcarce.

Dos suspiros da derrota nãos se escapa o pai à tristeza e os bêbados a enxergar estrelas, vislumbram luz que lhes chega prenúncio de morte: suicídios.

Alemães esvoaçam o livro (um a se afundar em desejos submarinos de jovem na aparência indefesa), ombreados a freiras e regionalismos de distantes memórias.

Por fim, mas não como última beleza destes contos: Felicity, a sorte da morte digna também aos cães.


Caetano Lagrasta
1º de novembro de 2015


Um comentário:

  1. Resenha poética que vai na essência do conjunto dos contos, já estava na minha página. Obrigada, escritor Caetano Lagrasta

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