sexta-feira, 14 de agosto de 2015

Eu me reconheço em seus versos




Soy responsable de mi ignorancia, de la voluntad que elijo en que lo insisto. Soy
responsable de repudiar lo que no amo, lo que me hace mal. Me importa mi país, me
importa el tiempo en que vivo.”

                               Anahi Cao, poema 33



CICLO LUNAR é um livro de constatações e de conquistas neste tempo em que liberdades recém-adquiridas convivem com novos aprisionamentos: padrões estéticos, estereótipos cansados, violência, obstáculos à visibilidade.

Ao invocar uma consciência coletiva em seus versos, a Poeta nos convida a uma viagem de conhecimento pessoal e histórico; parte de um território primitivo que se compõe em corpo feito de gozo, envelhecimento e morte, ciclo antropofágico da vida:


3
Yo soy el cuerpo que respira, la ansiedad que traiciona, los partos que tuve, la insatisfacción, el gemido, el tacto, la historia.
Soy el ansia de mis pechos blandos como semillas em la tierra húmeda, el amor em el
calor de mis entrañas, el incendio suave, la voz del placer profundo, del silencio.


Não por acaso, CICLO LUNAR desentranha-se por todo o livro em 33 fragmentos, desconstruindo, desta forma, o discurso pré-concebido da estrutura do poema ou da prosa: ... Integração de contrários e supressão da finalidade, princípio que tem por objeto a superação de limites, a progressiva individualidade, a liberdade (Haro, Pedro Aullón de. Teoria del poema em prosa. In Quimera: revista de literatura, nº 262, 2005, os. 22-25)

Matéria feminina transformada em versos, folhas que se fundem ao solo decomposto, CICLO LUNAR é fim... que se alimenta do começo.


Ciclo Lunar é da Editora La Luna Que, 2015




Adriana Aneli 

Um comentário:

  1. Vou procurar para adquirir! Ótimo título, bela poesia, oferecida aqui! Grata pela dica!

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