quinta-feira, 27 de agosto de 2015

O tempo passa e a gente chora


Amigos e amigas da minha idade: meninos e meninas com mais de 90 anos, 

A vida nos desafia ao longo dos anos e nos faz pensar seriamente no TEMPO que passou. Hoje lembrei de uma pequena poesia que aprendi na infância:

"O tempo passa e a gente chora
porque não aproveitou
A gente quer aproveitar o tempo
mas o tempo não dá tempo,
porque o tempo já passou"


Diante dos provérbios que nos remetem ao tempo: "Não deixe para amanhã o que pode ser feito hoje", ou  o italiano Chi ha tempo, non aspaetti tempo, que traduzo: "quem tem tempo, não espere mais tempo", eu me pergunto: eu soube dar valor ao tempo que me foi concedido - o tempo que me trouxe amor, família, dedicação, cultura, trabalho, amigos, alegrias, tristezas e decepções? 

Será que eu soube ver e sentir a importância do tempo na minha existência, sabendo valorizá-lo, aceitando os desafios que ele nos traz e, corajosamente, enfrentá-los com serenidade e determinação?

Espero poder preencher todo o tempo que ainda me resta nesta longa jornada com pensamentos otimistas, usando este bendito tempo para adquirir ainda mais conhecimentos que possam me fazer crescer interiormente e, assim, mostrar aos meus netos e bisnetas a importância de usarmos cada dia com inteligência e, jamais, ociosamente.

Obrigada, meus queridos leitores.

                                                                 Nida










NIDA DEL GUERRA FERIOLI (94) é Conciliadora e Mediadora de Conflitos (formada em 2014); Professora de italiano; autora do livro “Vivendo a Vida” e colaboradora muito especial do BAP




sexta-feira, 21 de agosto de 2015

Relato de Viagem




nos campos de guerra
sobrevivem borboletas
: as pétalas mudas


Sou peregrina. Experiencial, nos mistérios desta rota de imagens escritas e poesia traçada a cores. Campo aberto. Refinados artistas que não traem esforços: executam hai y kai com o domínio pleno de suas técnicas.

Chris Herrmann tem olhos e mãos de poeta. Construtora de versos, desenha sílabas poéticas, pinceladas precisas, sensação, sensibilidade, memória, oriente e ocidente a carvão diluído, tempo materializado, palavra que corta: flagrantes da (nossa) natureza.

Leo Lobos não traduz poemas, interpreta linguagens. Nos 50 passos dessa dança, nunca abandona as possibilidades da construção do texto.  Mestre na representação de cores e formas, estudioso da história e da cultura, fortalece as relações entre idioma e imaginário.

No percurso, miram-se e admiram-se Bashôs, Leminskis, Franchettis, Alices, Jiddus, Beneditas, Hideos, Alvaros para então brotarem - originais e únicos - os Haichris.

Ao final da viagem, trago-os todos para casa: luzes sombreadas, contornando minha mente: retornando-me.


Adriana Aneli


quinta-feira, 20 de agosto de 2015

Lançamento do livro NA ROTA DO HAI Y KAI, de Chris Herrmann

Esperamos vocês, amigos, para o lançamento amanhã, 21 de agosto, 6a. feira, o dia todo, aqui: www.facebook.com/narotadohaiykai

Na Rota do Hai y Kai, livro digital do selo TUBAP Books, já se encontra à venda na livraria Saraiva: http://www.saraiva.com.br/na-rota-do-hai-y-kai-9001500.html

A renda obtida nas vendas da obra será 100% revertida para o projeto Mano Down (https://www.facebook.com/manodown).


sexta-feira, 14 de agosto de 2015

Eu me reconheço em seus versos




Soy responsable de mi ignorancia, de la voluntad que elijo en que lo insisto. Soy
responsable de repudiar lo que no amo, lo que me hace mal. Me importa mi país, me
importa el tiempo en que vivo.”

                               Anahi Cao, poema 33



CICLO LUNAR é um livro de constatações e de conquistas neste tempo em que liberdades recém-adquiridas convivem com novos aprisionamentos: padrões estéticos, estereótipos cansados, violência, obstáculos à visibilidade.

Ao invocar uma consciência coletiva em seus versos, a Poeta nos convida a uma viagem de conhecimento pessoal e histórico; parte de um território primitivo que se compõe em corpo feito de gozo, envelhecimento e morte, ciclo antropofágico da vida:


3
Yo soy el cuerpo que respira, la ansiedad que traiciona, los partos que tuve, la insatisfacción, el gemido, el tacto, la historia.
Soy el ansia de mis pechos blandos como semillas em la tierra húmeda, el amor em el
calor de mis entrañas, el incendio suave, la voz del placer profundo, del silencio.


Não por acaso, CICLO LUNAR desentranha-se por todo o livro em 33 fragmentos, desconstruindo, desta forma, o discurso pré-concebido da estrutura do poema ou da prosa: ... Integração de contrários e supressão da finalidade, princípio que tem por objeto a superação de limites, a progressiva individualidade, a liberdade (Haro, Pedro Aullón de. Teoria del poema em prosa. In Quimera: revista de literatura, nº 262, 2005, os. 22-25)

Matéria feminina transformada em versos, folhas que se fundem ao solo decomposto, CICLO LUNAR é fim... que se alimenta do começo.


Ciclo Lunar é da Editora La Luna Que, 2015




Adriana Aneli 

segunda-feira, 10 de agosto de 2015

Um dia após o outro


Hoje quero conversar com os amigos da minha faixa etária, isto é, dos noventa e tantos anos, e compartilhar uma sensação que, pensava eu, não mais experimentaria. Enganei-me redondamente, pois fui tomada por uma sensação que me atingiu, desafiando o meu bom senso: “a surpresa”.

Quando ela é gratificante, trazendo alegria e felicidade, nós a recebemos com sorrisos e agradecimentos ao Senhor.

Mas, eis o célebre mas... e se, ao contrário, essa surpresa nos traz preocupação, tristeza, aborrecimentos; nós saberemos aceita-la? Saberemos trabalhar e compreende-la?

Eis o grande desafio aos noventa anos: transformar esses sentimentos negativos da surpresa em emoções positivas, capazes de nos ajudar a superar momentos difíceis e, assim, quem sabe, torna-los menos pesados e menos aflitivos para os seus protagonistas.

Vamos então à luta, caso tenhamos essas “surpresas”, pois nós, senhoras e senhores, somos invencíveis ao oferecer algo muito importante: experiência.

E são infinitas as possibilidades: ao dizer as palavras certas, na hora certa; sendo discretos nos aconselhamentos que queiram ser ouvidos, minimizando os fatos negativos, procurando meios para aliviar o coração de alguém que está sofrendo.

Perdoem-me, amigos e amigas, pelo excesso de autoconfiança, mas esta é a prerrogativa de quem viveu muito e com otimismo, transmitindo esta aprendizagem aos nossos semelhantes.

Obrigada por lerem este pequeno texto,


                                                                                 Nida












NIDA DEL GUERRA FERIOLI (94) é Conciliadora e Mediadora de Conflitos 
(formada em 2014); 
Professora de italiano; autora do livro “Vivendo a Vida” 

e colaboradora muito especial do BAP

terça-feira, 4 de agosto de 2015

COMO SUPORTAR JABS NO BAÇO E ENCARAR NOCAUTES

Acabei de ler o livro do meu amigo Vlado Lima. Gostei muito. A cada página uma nova passagem secreta por saltos ornamentais ou buracos de fechaduras. Um livro que trata de vários assuntos: imagens inacabadas, sonhos interrompidos, copos pela metade, mulheres convulsivas-imaginárias, amigos putos em busca de um freezer decente, fenômenos históricos, referências filosóficas, quadrinhos, programas televisivos...Ô Cride!!! .

Um livro intempestivo, como diria Giorgio Agamben. Ser intempestivo, assevera o filósofo, é diluir a incandescência nas trevas, como só os poetas o fazem -, tamanha a percepção multifacetada do cotidiano.
O livro convida o leitor a gargalhar, elaborar reflexões sobre a porra da vida... ou a um inusitado encontro com a melancolia; mas isso tudo passa a cada página, a cada verso, a cada assalto...

Não se trata de um livro suave. Depois da leitura, ninguém sai flutuando em barquinhos bossa nova. A parada é outra: poesia-porrada...ops, jabs para ser mais exato.

Se o amigo leitor resistir, sairá renovado -, pulsão de vida a se transmutar no instante seguinte.

Se não resistir, aconselho: cole num buteco e beba uma cachaça...pode chamar o Vlado e a mim também, pois além de degustarmos a danada, rachamos a conta...

Um brinde!!!


Edmilson Felipe – (dimi)



Edmilson é escritor e poeta. Doutor em Antropologia. Atualmente é professor assistente doutor e Chefe do Departamento de Antropologia da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Participa do Núcleo de Estudos da Complexidade nas seguintes linhas de pesquisa: Itinerários intelectuais e dinâmicas culturais contemporâneas. Participa também do Núcleo: Imagens, Metrópoles e Culturas Juvenis. Tem experiência na área de Antropologia, com ênfase em Complexidade e Conhecimento, atuando principalmente nos seguintes temas: Industria Cultural, Cinema, Arte e Tecnologia e literatura. Coordena o curso de extensão universitária de Antropologia Visual junto à COGEAE (PUC-SP).

domingo, 2 de agosto de 2015

OITO PERGUNTAS A PENAS com BIANCA VELLOSO


Bianca Velloso nasceu gaúcha, na capital do Rio Grande do Sul, em novembro de 1979. Filha de uma médica ginecologista e de um técnico em óptica. Ainda criança foi morar na Ilha de Santa Catarina e cresceu poeta. Em 2001 formou-se em Pedagogia. Como todo poeta, é apaixonada por olhos e olhares, por isso em seguida foi cursar Optometria, uma profissão que embora seja reconhecida pela Organização Mundial de Saúde, no Brasil ainda é relativamente nova e luta por reconhecimento e espaço. É como optometrista que ganha a vida. Bianca acredita que a poesia é para todos e por isso milita como pode, organizando saraus em parceria com movimentos populares, é associada e programadora da Rádio Comunitária Campeche, no bairro onde mora. É mãe da Helena desde 2007 e em seguida vai parir o livro “No Umbigo do Vento”, através das mãos da Editora Penalux. Teve alguns de seus poemas publicados nas revistas Mallarmagens, Boca a Penas e Plural. Em 2016 fará parte dos poetas que integram o livro/agenda da Tribo.


 
(fotografia: Verônica Almeida Siqueira)

presente

na mão direita
a menina embrulha o barbante
e o aperta
ao encontro do peito
o lado esquerdo do peito
.
o barbante embrulhado
na mão da menina
é o barbante do embrulho do livro
sim, o livro,
o livro cuja história
ressignifica o presente
e o presente
é vida pulsando
:
na História
nos ventos
nos meios
.
manhãs, tardes e noites
.
nas marés
nas saias
nas sinas
.
semanas, meses e anos
.
nas pernas
nas veias
nos olhos
nos seios
na saliva
:
existência
reentrâncias
e urgências

(Bianca Velloso) 



BAP1: Quais as significações que a poesia tem para você?

Bianca Velloso: É um pouco essa urgência, dessas coisas que pulsam no peito. E também este rito de trabalhar a palavra, como um oleiro trabalha o barro. É uma forma de resistência, de nadar contra a corrente. Num mundo que exige a frieza e o consumo a poesia abre um espaço para o sentir. Às vezes tenho a impressão que as pessoas temem a poesia, porque a poesia nos faz olhar para dentro, ao mesmo tempo que nos faz olhar para o outro e como este contato com o outro é sentido.

BAP2: Você pode nos contar mais sobre os saraus que promove e a quais movimentos populares especificamente você se refere? Que resultados concretos surgiram dessas ações?

BV: Este ano estou um pouco devagar nesta história de promover saraus e também em falta com os movimentos populares. A vida prática e a sobrevivência têm me exigido um pouco, mas quero ver se logo volto a atuar, pois a militância faz parte da minha essência. Atuei numa rádio comunitária, pela democratização dos meios de comunicação. A Rádio Comunitária Campeche, que é o bairro onde moro. Junto com o coletivo da Rádio organizei as Quintas Poéticas, que aconteciam toda primeira quinta-feira de cada mês num pequeno restaurante do bairro. O início do ano também estive em contato com o movimento pela Ponta do Coral 100% pública, um movimento que acontece na minha cidade que luta pela preservação de uma área denominada Ponta do Coral, que está em disputa judicial, de um lado um grupo de empresários querendo construir um hotel e de outro lado a comunidade querendo a construção de um parque público. Junto com as poetas Mariana Queiroz e Cândice Guzmán organizei um sarau neste espaço. Numa conversa entre poetas conhecidos através do facebook surgiu a ideia de um encontro real. Fizemos acontecer no pátio da Rádio Comunitária Campeche o 1º Ecopoético – ajuntamento de palavras e pessoas, entre os envolvidos neste processo estavam Adriane Garcia, Homem Arara, Quimera Araucária, Suzana Pires, Pat Zamberlan, Osíris Duarte, Elaine Tavares, Rubens Lopes, Paulo Renato Venuto, Glauco Marques, Zé Amorim, Mariana Queiroz, Diana Román, Núria Rodrigues, Chris Mayer, Júlio de Castro... Veio gente de todo o Brasil pra Ilha de Santa Catarina. Foi um encontro lindo. Depois este encontro aconteceu também em Novo Hamburgo (RS) e em Esmeraldas (MG).

BAP3: Como você está vendo a cena poética da sua região e a do Brasil como um todo?

BV: Vejo um movimento bonito acontecendo. Com muita gente boa escrevendo, organizando saraus. Aqui em Florianópolis destaco o trabalho da Juliana Impaléa que está à frente do Sarau Boca de Cena, da Mariana Queiroz, da Cândice Guzmán (minhas parceiras), da Tatiana Cobbett e do Marcoliva, da Fêre Rocha... E no Brasil acredito que esta “era digital” facilita e possibilita encontros muito interessantes. Possibilita que poetas de lugares tão distantes se encontrem e troquem ideias, poemas... Nascem parcerias lindas. Existe, por conta desta rede, um sentimento forte de contemporaneidade. É uma delícia poder dialogar com os iguais, descobrir um igual lá do outro lado do Brasil (e em alguns casos até do outro lado do oceano). Este movimento todo nos faz perceber que a literatura é feita também por escritores que não estão no mercado editorial. Que tem literatura de qualidade fora do eixo das grandes editoras.
 
BAP4: Em termos artísticos, quais são os seus maiores sonhos e metas?

BV: Como diz Manoel Herzog, eu sempre escrevi para consumo próprio. Não tenho grandes ambições. Não sonhava com livros editados. Mas as coisas foram acontecendo e estou curtindo este momento. Meu primeiro livro, intitulado “No umbigo do vento” está saindo do forno, pela Editora Penalux. E acabo de receber um convite da Editora Scenarium para escrever um livro artesanal, já estou trabalhando nele e deve sair em novembro, pra mim um presentão de aniversário. Mas o que eu quero mesmo e vou procurar trabalhar nisso a partir do ano que vem, é a democratização da poesia, é que as pessoas se apropriem do fazer poético, que experimentem o processo de escrita. Estou conversando com algumas pessoas da minha cidade e quero organizar oficinas que levem a poesia ao alcance de todos.

BAP5: É comovente constatar o amor que existe entre você e sua filha, Helena. A maternidade foi um divisor de águas na sua produção poética?

BV: Não sei... Quando Helena nasceu eu estava há um bom tempo sem escrever. Quando ela fez um ano e começou a fazer gracinhas minha irmã foi morar na França. Para que ela acompanhasse o crescimento da sobrinha criei o blog “poesiacotidianabia.blogspot.com.br”, que inicialmente contava as historinhas do meu dia-a-dia com a Helena. Ali eu percebi que mesmo que eu não estivesse escrevendo poemas, minha vida estava repleta de poesia. Voltei a escrever mesmo em 2012, quando participei de um grupo de canto, coordenado pela Patricia São Thiago, que é musicoterapeuta. Através da música entrei em contato com coisas que estavam esquecidas dentro de mim, entre elas o prazer da escrita. Através da internet conheci o Manoel Herzog que foi me colocando em contato com muita gente do meio. Herzog é “meu padrinho literário”.

BAP6: Como você consegue administrar suas atividades diárias como profissional de optometria, mãe, dona de casa, vida pessoal, com a criação poética?

BV: A poesia está em tudo isso, né? Está presente no olhar e nas histórias dos meus pacientes, nas travessuras e nas descobertas da minha filha, no quintal de casa, na pia cheia de louça, nas pequenas cumplicidades do cotidiano. Basta que se tenha sensibilidade para ver. Aí vem aquela urgência da escrita. Anoto em algum canto a primeira ideia. Depois vou lapidando, geralmente nos intervalos de trabalho, entre um paciente e outro. Às vezes eu percebo algo e aquilo fica na memória. Existem dois momentos muito fortes onde o percebido começa a ser transformado em poesia. E é engraçado que são dois momentos em que não tenho como escrever. Durante o banho e também quando estou dirigindo. Levo a ideia comigo até que eu possa rabiscá-la. Depois durante o dia vou trabalhando as palavras.

BAP7: O que mais te influencia a escrever: a vida que te rodeia ou os autores que você lê? Por falar nisso, quais são os seus autores favoritos?

BV: A vida que me rodeia me influencia nos temas. Os autores na forma. Dos autores famosos gosto muito do Manoel de Barros, do Eduardo Galeano,do Gabriel García Marquez, da Alice Ruiz, do Arnaldo Antunes, da Adélia Prado, da Sophia de Mello Breyner Andersen, da Wislawa Szymborska. Mas de verdade eu tenho preferido aqueles com quem eu dialogo de forma direta, que é o que fortalece este sentimento de contemporaneidade. A gente dialoga com estes famosos também, lógico, mas não tem resposta. É um diálogo unilateral, digamos assim. Gosto e me identifico muito com a poesia de Liria Porto, de Adriane Garcia, de Nil Kremer, de Adriana Zaparolli, de Carla Carbatti, de Simone Teodoro, de Carlos Moreira, de Mariana Queiroz, de Mariana Gouveia, de Lunna Guedes, de Lázara Papandrea, de Fabíola Mazzini Leone, de Inês Monguilhotti, de João Carrascoza, de Tania Amares, de Quimera Araucária, de Suzana Pires, de Aden Leonardo, de Luciane Lopes, de Fêre Rocha, de Cândice Guzmán, de Claudio Castoriadis, de Joe Salles, de Alberto Lins Caldas, de Valéria Tarelho, de Natasha Félix, tanta gente boa...

BAP8: Pensando na sua filha e na geração dela, se você fosse Ministra da Educação que providências tomaria para transformar a poesia num gênero de literatura mais popularizado e acessível?

BV: Se eu fosse Ministra da Educação eu levaria o Diovani Mendonça para trabalhar comigo, porque acredito que é preciso levar a poesia para a escola, mas de forma lúdica. E o Diovani tem um trabalho lindo neste sentido. Ele faz oficinas poéticas, leva poetas para a escola, brinca com a leitura e a declamação, incentiva as crianças a experimentarem o fazer poético e depois leva esta produção para espaços e publicações populares, imprime estes poemas em sacos de pão. Tem coisa mais bonita que isso? Pão com poesia? Como diz Natália Correia “oh, subalimentados do sonho, a poesia é para comer”.


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Entrevista realizada pela equipe do BAP.
Chris Herrmann, Denise Moraes, Lourdes Rivera e Marcelo Mourão