quarta-feira, 17 de junho de 2015

Encontrando Olhares



Pediu-me a revista literária “Boca a Penas” que resenhasse o livro de Júlio Damásio: “Num piscar de olhos e outros olhares”. Aí vai.

O livro é tão imensamente bom e discreto de palavras que me obrigo a não ocasionar derramamentos inúteis:

"Júlio me mande dez exemplares, que compro para meus netos e filhos; depois peço mais para professores e amigos.
Parabéns!
FIM"

Diante da reclamação, gritos e sussurros da Boca a Penas, reescrevo:

Caro Poeta, Júlio, que não conheço nem de olhar em fotografia, mas que me deu susto tamanho quando li os minicontos e outras histórias, que ainda estou a recuperar o fôlego.

Sensibilidade a esbanjar e memória de letrista de grandes sambas, como Paulo Vanzolini.

Conhecedor de quintais e jardins; matas e periferias; corações e mentes, a cada página renova nossa alegria, nosso sentimento, nossa angústia, nos fazendo pensar, até, com amor, em nossa parentaia, sem descurar da velha morte.

Se existe um representante nestes Brasis da tal corrente de prosa poética ou de poema em prosa, ele é o Júlio, o Damásio.

E, assim, pra não desgostar ninguém e, muito menos, os literatos de plantão, mando uma dupla citação à guisa de encerramento:

Fernando Paixão, na sua “arte da pequena reflexão” (Iluminuras, 2014, p. 55 e s.) menciona Suzanne Bernard que: “... ‘chama a atenção para o fato de Baudelaire ter-se aproximado da prosa com o intuito de traduzir em palavras a vida atribulada que emergia em Paris e lhe inspirava o spleen’. Tal sentimento, associado a uma melancolia lírica mesclada à lucidez, pedia a expressão diferenciada em consonância com o mal-estar do poeta...” – ela aponta “o fato de os recursos da prosa servirem com mais fidelidade ao anseio do poeta em dar eco aos ‘rumores da vida interior’. Seja um quarto duplo, seja um velho saltimbanco, seja o contraste entre multidão e solidão, as situações são tratadas com o propósito de desencadear o confronto gerador de aspectos simbólicos e sociais”.

Pronto e desculpe-me Júlio mais este derrame, prenúncio de AVC ou sincera declaração de respeito e amizade.

caetano lagrasta, de sampa pro mundo em 17 de junho de 2015.
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Caetano Lagrasta é  Consultor Jurídico e Jornalista. Autor  de livros de contos, poemas e poemas infantis. Articulista do Projeto Tempestade Urbana, Colaborador do Boca a Penas e mantém o site www.caetanolagrasta.com

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