quarta-feira, 29 de abril de 2015

Matéria de Jorge Nagao para o Portal Nikkei

Nesta belíssima matéria para o Portal Nikkei, o escritor Jorge Nagao, também colaborador de Boca a Penas, fala de haicais, haicaístas, de Chris Herrmann e seu mais recente lançamento: o livro ´Voos de Borboleta´, 2a. edição, coletânea de 178 haicais.

Leiam a matéria completa AQUI.

http://www.portalnikkei.com.br/jorge-nagao-habemus-haicaistas/

Voos de Chris Herrmann, matéria de Adriana Aneli

Matéria de Adriana Aneli na Tempestade Urbana sobre Chris Herrmann e seu mais recente livro publicado, Voos de Borboleta.

"Voos de Chris Herrmann
April 24, 2015
por Adriana Aneli Costa Lagrasta

Existem várias maneiras de olhar para vida... a de Chris Herrmann é especial.

Falo de sua força interior para superar obstáculos, mas também da habilidade com que transforma o cotidiano – seu e de quem está por perto - em matéria-prima para a sua arte, prisma decomposto em poesia, músicas, desenhos gráficos, projetos de literatura.  É assim que, em novembro de 2007, nomeada pela poeta Delasnieve Daspet, Embaixadora Universal da Paz para o Brasil, Chris Herrmann se tornou a  Consulesa do Movimento 'Poetas del Mundo' em Dusseldorf, Alemanha, e referência para uma nova geração de haicais teuto-brasileiros.

De voz e sotaque tão marcantes quanto sua personalidade, esta carioca se preparou muito bem para os desafios que viriam: Chris cursou Letras [Literatura] na UFRJ, parcialmente filosofia e teologia na FACEN e cursou também Administração Básica na Fundação Getúlio Vargas e Propaganda & Marketing na ESPM. Estudou piano e teoria musical no Conservatório Brasileiro de Música [RJ] e, já na Alemanha, na Universidade de Münster, posgraduou-se em "Musikgeragogik" (pedagogia musical no trabalho social com idosos), recebendo a nota máxima pela tese apresentada."


Leia AQUI a matéria completa.

http://www.tempestadeurbana.com/#!Voos-de-Chris-Herrmann/cmop/553a4ae50cf23d01644b1d28



Chris Herrmann, em entrevista exclusiva para o Portal Cultura Alternativa

A convite do editor Anand Rao, do Portal Cultura Alternativa, Chris Herrmann deu uma entrevista gravada exclusiva onde respondeu perguntas sobre sua história e seu livro ´Voos de Borboleta´, 2a. edição (coletânea de haicais).

Ouça AQUI a entrevista completa.

http://www.culturaalternativa.com.br/literatura/materias/3452-exclusivo-chris-hermann-poeta-e-musicoterapeuta-direto-da-alemanha


Lançado VOOS DE BORBOLETA, de Chris Herrmann

O livro ´Voos de Borboleta´ de Chris Herrmann, 2ª edição, versão ebook, teve seu lançamento virtual no dia 24 de abril de 2015 no facebook. Foi uma linda festa interativa, onde os amigos fizeram belas homenagens.

Voos de Borboleta, uma coletânea de 178 haicais, foi a primeira realização do TUBAP, união das comunidades TEMPESTADE URBANA e BOCA A PENAS.

Para adquirir o livro, clique AQUI.

https://www.clubedeautores.com.br/book/184480--Voos_de_Borboleta

segunda-feira, 27 de abril de 2015

Olá meninos e meninas da 3ª idade


por Nida del Guerra Ferioli

Estou ausente há um mês das redes sociais, mas penso que vocês ainda estão lembrados de uma senhora de 90 anos que se assustou com a própria idade, etc, etc, etc.

Esta ausência serviu para que eu refletisse sobre os 90 anos passados e prossegui, até aos 94 que cheguei, buscando a felicidade.

Dirão vocês, meus queridos leitores, que coisa mais antiga! Quem não corre atrás dessa bendita felicidade! Sim, vocês têm toda razão... aí é que está o mas: na minha longa existência, cheguei a certas conclusões que, humildemente, gostaria de transmitir a vocês.

A felicidade não vem a nós como dádiva extraordinária; com esperanças mirabolantes; almejando realizações excepcionais, mas, principalmente, vem com as pequenas coisas da vida; como, por exemplo, as atenções e beijos que você recebe dos seus netos; o toque do telefone que anuncia a vinda das suas bisnetas para dormir em sua casa, a preparação de um chá com bolo feito por você para receber suas amigas.

Ir ao cinema e ter – a  sorte – de assistir a um bom filme, mãozinha dada com seu companheiro, poder ler um bom livro, participar de algum curso que estimule seu crescimento interior.


Enfim, não quero me alongar, mas, dirigindo-me especialmente às meninas e aos meninos da 3ª idade eu repito, “humildemente”: vivam, vivam plenamente a vida,  que é bela sabendo-a viver! A felicidade nos é presenteada em pequenos momentos fugazes ... é preciso saber aproveitá-los, com serenidade e bom humor.





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NIDA DEL GUERRA FERIOLI (94) é Conciliadora e Mediadora de Conflitos (formada em 2014); 
Professora de italiano; Autora do livro “Vivendo a Vida” 
e colaboradora muito especial do BAP


domingo, 19 de abril de 2015

O livro VOOS DE BORBOLETA, de Chris Herrmann














Lançamento virtual, no facebook, dia 24 de Abril, NESTE LINK.

Para adquirir o livro no site clubedeautores.com.br CLIQUE AQUI


"Os haicais de Chris, lembram um sopro de alma (psique) , que sai do corpo morto em forma de borboleta (psique), como um sinal de vida, fluidez e amor. Ora, o que seria da alma sem o amor? O que seria o mundo sem a polinização das borboletas? Chris poliniza, faz brotar, diversifica o ambiente em que vivemos. Seus haicais têm cheiro, cores e movimento.
"Não há borboletas se a vida não passar por longas e silenciosas
metamorfoses" (Rubem Alves)

Edith Janete Schafer
Psicóloga, Ensaísta e Mestranda em Educação"


quinta-feira, 16 de abril de 2015

LOUCURA NUMÉRICA

por Antonio Silva

CRÔNICA LIDA NA RADIO CITE GENÉVE, SUIÇA
PROGRAMA “PORTUGALIDADES”
“POSTAL DE PORTUGAL” Nº 441


 
Números e Constelações em Amor com Uma Mulher – Joan Miró

                               O mundo louco dos números....

                              Recentemente uma amiga me enviou um poema com o titulo “Revisão dos 14235 dias...”, exatamente os seus dias de vida, e nele coloca de dez em dez anos uma evolução, uma afinidade, e uma forma de encarar a sua vida. Quando acabei a leitura, quase automaticamente peguei no papel para verificar qual seria o número que encontraria comigo, porque na verdade nunca tinha pensado nesta vertente de quantificação de dias e encontrei quase um dobro daquele...

                          Neste  universo de  tempo  em  que  nos  materializamos,  em  que   opinamos, divergimos, guerreamos e amamos, interessante seria haver a possibilidade de analisar nessa amálgama de dias passados, quantos foram de felicidade e quantos de infelicidade, quantos de esperança e de desespero e quantos de lágrimas e sorrisos. Assim, seria verdadeiramente interessante  ficarmos a saber se a orientação que julgamos atribuir aos nossos dias, foi o melhor ou se o numero maioritário corresponde a componentes negativos, decerto contribuindo para muito do infortúnio de outros.

                         A matemática  e  a  vida sei que são coisas nada afins, mas agora que trouxe o assunto à minha NOTA ficou decerto a pensar que realmente também gostaria de saber como anda seu saldo de “qualidade verdadeira de vida”.

                            Mesmo com a disponibilidade de tempo que realmente talvez hoje possua não me seria difícil, doravante no termo de cada dia, analisá-lo e atribuir-lhe a tal conotação, mas será que vale a pena? Acho que não, até porque depois que interesse teria isso, se o dia final eu não o saberei jamais, e toda a inventariação qualificativa não serei eu a fazê-la...

                         Resta só adicionar que a minha amiga Adriana Aneli Costa Lagrasta fica como responsável espiritual desta crônica, que num dia de Primavera saiu num convite encapuçado de simplicidade, mas que de simplicidade não tem realmente nada....


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*** o poema a que se refere a crônica é este aqui:

Revisão dos 14235 dias...

Aos 9, entre bonecas 
histórias em quadrinhos
vestindo sonhos, fantasias
aprendi que sorrir adeuses
aumenta a chance de um novo encontro

Aos 19, entre aulas de direito
burocráticos carimbos
brincando de ser mãe
aprendi a calar adeuses
por acreditar em reencontros

Aos 29, entre sustos
rompimentos
amor escapou pela janela
aprendi que chorar adeuses
não diminui a dor do desencontro

Aos 39, entre amigos
poemas
amor maduro me ensina
que não pensar em adeuses
é a grande alegria da vida.

Adriana Aneli, 39 anos


"Aneli revisited: a balada da badalada das 9"
José Jardim





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Antonio Silva é escritor e locutor na Radio Além Fronteiras, em Faro, Portugal


Agora o BAP é 10!!! DEZ MIL CURTIDAS!!!



Paulo Stocker é artista plástico, cartunista e muralista.



Catarinense, natural de Brusque, ele é hoje uma das maiores referências artísticas da Rua Augusta — lugar que fica região central de São Paulo frequentada por inúmeros trendsetters da América Latina e local que escolheu para morar com sua esposa e filha— e também do Brasil.
Como todo artista, Stocker é uma criança que nunca parou de desenhar. Já são mais de 30 anos de carreira. 
Em suas inúmeras obras criou as cartuns, muitas vezes com uma pitada de erotismo, do site Stockadas; deu vida, junto com o publicitário Eduardo Rodrigues, ao personagem Tulípio, que está presente em dezenas dos principais bares do Rio de Janeiro e de São Paulo através do Cineboteco e da Revista do Tulípio; criou a reconhecida série Gambiarra, que aplica traços orgânicos e máquinas multicoloridas; e sua principal obra é o personagem Clóvis, presente em seus quadros e murais de rua. 
Clóvis possui um prestígio público enorme e é considerado pelo cartunista britânico Karl Dixon, do Diary of a Cartoonist and Writer, como um personagem genial pela simplicidade e singularidade de seus traços e formas de usar seus quadros. A forma com que Stocker usa os quadros do Clóvis é uma referência para artistas do mundo inteiro.

Adolfo Martins

conheça mais em: http://paulostocker.com.br/

quarta-feira, 8 de abril de 2015

PARA QUÊ (AINDA) SERVE A POESIA?


por Pedro Lyra

(Tópico do livro O transe da poesia – Da grandiosidade do Clássico à banalidade do Pós-moderno. A sair.)


A situação da poesia se agravou e atingiu um ponto crítico na contemporaneidade, com o progressivo incremento da população mundial, gerando as sociedades de massa, com um público consumidor capaz de profissionalizar qualquer atividade – inclusive a do poeta, o último produtor cultural ainda amador, se direcionada nesse sentido. Bastava um programa regular de tevê: semanal... mensal... Não precisava ser diário. Este fica para o esporte, uma atividade culturalmente quase vazia. Deve ser por isso que os atletas são praticamente a única categoria com direito a voz ao vivo nas telas das tevês. Não têm nada a dizer.

Novos e mais eficientes meios de comunicação, transporte e informação, sob pressão da nova realidade, foram criados para e pela globalização do mercado consumidor. Paralelamente, a indústria burguesa prodigalizava novas e mais sedutoras formas de lazer, todas elas sociais, em oposição ao lazer solitário proporcionado pela leitura nas sociedades pré-industriais.
No mundo de hoje, quem ainda lê é o profissional da cultura. Aquele cidadão comum do século XIX e de princípios do XX, que pegava o seu Alencar ou o seu Bilac, o seu Eça ou o seu Camões para ler na sesta, esse continuou a ser comum, mas perdeu a sesta e deixou de ser leitor: virou assistente – telespectador ou ouvinte. Ou simplesmente fofoqueiro de boteco, turista de subúrbio, alienado internauta, pornoconsumidor...

Hoje, ao contrário de todas as demais, que não sobreviveriam sem um público extrínseco, de apreciadores comuns (os amantes da música, do cinema, da pintura, do romance, da telenovela etc.) sem vínculo pessoal ou profissional com nenhuma dessas artes, a poesia é também a única que sobrevive com um público quase exclusivamente intrínseco: os poetas da contemporaneidade praticamente só são lidos mesmo (com exceção de leitores compulsórios, como professores e estudantes) pelos outros poetas e seus raros críticos. Parentes e amigos fora do círculo intelectual vão aos lançamentos, às vezes abrem o livro – por mera curiosidade ou simples cortesia.

Algumas das novas formas artísticas souberam bem aproveitar a penetração popular dos meios de comunicação de massa e, beneficiadas pela criação anterior dos instrumentos de reprodução da obra, puderam industrializar-se e assim se transformaram em profissões, altamente rendosas. Foram aquelas que, sem maior compromisso com a tradição ou um projeto cultural e colocando seus produtos ao nível intelectual das massas, oferecem basicamente a emoção, o prazer ao seu público: a música, no rádio; a narrativa, no cinema; e ambas na tevê e hoje na Net.

Essas artes, através do disco e da fita, do filme e do vídeo, das telas das tevês e dos computadores, dos celulares ou dos tablets, saíram dos gabinetes ou dos salões para os estúdios e daí para a casa, para a rua, para o mundo, numa comunicação livre, direta, descontraída e espontânea, hoje interativa, com um público verdadeiramente universal.

A poesia bem que tentou, mas não teve como penetrar em nenhum desses meios; perdeu para a música popular praticamente todo o público leigo e jovem que havia conquistado; e, em busca de solução para a crise, começou a indagar-se sobre si mesma: para quê ainda sirvo?

De olho na consagração das instâncias legitimadoras (editoras, universidade e imprensa), esqueceu o leitor. Agora tenta “ressarcir-se” através das redes sociais: no Facebook, talvez seja a arte mais presente, por uma razão óbvia. Sendo a mais exigente quanto ao nível (a História só reconhece poetas até o 3º dos 5), é a mais simples quanto à produção: se antes bastava um caderno e um lápis (que todo menino possuía), hoje basta um celular (que todo mundo também possui).

Na prática, contentou-se com as noites de autógrafo, com os recitais em ambientes diminutos, com as recensões e entrevistas dos suplementos dos jornais, quase apenas dos pequenos, que adquirem dimensão maior transplantados justamente para o ciberespaço – mas nada na tevê. E com as aulas, cursos, congressos, monografias, dissertações e teses das Faculdades de Letras – que alguns autores fora do circuito universitário criticam, mas adoram quando são o tema, ou são convidados. E como se esmeram em fornecer material para os pós-graduandos! Eu também já fiz isso, mas eu sou universitário.

Em suma: a poesia continua servindo apenas para o que sempre serviu – a iluminação interior de uns poucos espiritualmente privilegiados. Ou seja: do ponto de vista pragmático, a resposta à pergunta do título seria: “Para nada”.

Mas a sua ausência serve ao menos para que espíritos ensombrecidos provoquem perguntas como essa.

E gerem respostas.




 

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Pedro Lyra é poeta, crítico, ensaísta, antologista de poesia
e professor de poética na Universidade Federal do Rio de Janeiro.




quarta-feira, 1 de abril de 2015

OITO PERGUNTAS A PENAS, com ADRIANE GARCIA






Adriane Garcia, nascida em Belo Horizonte/MG, em 1973. Historiadora, funcionária pública, arte-educadora, atriz. Escreve poesia, infanto-juvenis, contos e dramaturgia. Venceu o Prêmio Nacional de Literatura do Paraná, Helena Kolody, em 2013, com o livro de poesia Fábulas para adulto perder o sono. Publicou em 2014 o livro de poemas O nome do mundo, pela editora Armazém da Cultura. Integra o site Escritoras suicidas e colabora na Revista Mallarmargens. Tem poemas publicados na CULT, Vox, Germina, Eutomia, Palávoraz, Diversos afins e na antologia Hiperconexões, realidade expandida, organizada por Luiz Braz. Seu livro premiado sairá em breve pela editora Confraria do Vento.


Tão grande quanto

Amar é fácil
Difícil é reconhecer o desamor
E eu desamo

Desamo a despeito de Paulo
Em Coríntios capítulo treze
E me impaciento

Meu amor não espera nada
E suspeito que não seja benigno
Cresce desordenado

No fim de tudo desamo
Irrito-me e não tolero
Metástase.


BAP1: Seus dois poemas que saíram editados na Revista Cult – “Tão grande quanto” e “Chafurdando” – passa ao leitor uma visão bastante pessimista da relação amorosa vivida entre duas pessoas, principalmente do amor que surge entre um homem e uma mulher. A mesma forma de enxergar tal sentimento também aparece em outro poema seu, “O morador”. Para compor estes três poemas você se utilizou de reminiscências pessoais ou apenas usou a máscara literária, o fingimento poético, na construção do eu-lírico destes textos? Qual a sua visão do amor nos dias de hoje? O amor verdadeiro pode existir ou é somente um mito, um conto de fadas?

Adriane: Para compor os poemas sobre amor eu, geralmente, uso reminiscências pessoais e misturo com invenções. Noutras vezes utilizo histórias que me contaram, ouvi ou li. Por incrível que pareça, o amor para mim sempre deu certo, porque sempre vivi o amor com muita intensidade e amei e fui amada em minhas relações. Mas creio que até mesmo por causa da intensidade disso os términos também são terríveis.  Em O morador eu quis muito mais que ser pessimista, eu quis mostrar o amor como algo que se instala e pronto. Não oferece tudo o que promete porque é maior que nossa fome e, ao mesmo tempo, nossa fome se torna maior. Em Chafurdando eu creio que há uma desilusão quanto ao casal. Claro que o que um poeta sente, ou vê, ou percebe, ou declara num poema pode valer apenas para aquele momento e não mais. Fica o artefato para ser possuído pelo leitor. Do poeta já se desprendeu e, noutro dia, já se pode estar dizendo o contrário. O poeta não tem compromisso com verdades estáticas. Minha visão do amor nos dias de hoje é a de que o amor é algo maravilhoso de ser vivido como em todos os tempos. Sorte daqueles que encontram a pessoa disposta a amar e ser amada e isso, no caso de duas pessoas dispostas à vida conjunta, envolve uma equação que precisa mais do que amor. Nem todos estão dispostos. O amor é caro. Claro que o amor verdadeiro existe. Aliás, se é amor, é verdadeiro.

BAP2: A cultura pop aparece em vários de seus poemas, principalmente o universo dos quadrinhos. Há outros momentos em que você lança mão do mundo das fábulas, como foi o caso dos poemas do seu premiado livro Fábulas para adulto perder o sono. Tudo a seu redor pode virar poema e/ou sua poesia nasce de mergulhos a seus paraísos e abismos interiores?

Adriane: Tudo pode virar poema. Olho o mundo e o mundo me instiga a palavra. Gosto do diálogo, desde pequena. Acho que por isso minha poesia conversa com a conversa que tive com um amigo, um filme que vi, uma fábula que li, uma apresentação de orquestra que acabei de ouvir, um grupo de meninos batendo lata, uma pintura, um personagem de HQ... Mas mesmo que seja exterior o tema, o paraíso e o abismo são sempre interiores. Sensibilizo-me porque de certa forma aquilo toca meu coração.

BAP3: No poema “Conhecer-te” você diz:
"Guardo monstros horrorosos
No armário
Iguais aos que me assustam
Nos outros
Um dos meus monstros
É o que vigia a porta
Se me provocam
Ele abre o armário
Não gosto de me ver
No espelho."
Dói muito olhar pra si mesma? Você já fez terapia psicanalítica? Jung disse certa vez: “Quem olha para fora, sonha. Quem olha para dentro, acorda.” Você prefere sonhar ou acordar?

Adriane: Olhar para nós mesmos, na minha opinião, é o ato mais corajoso que podemos realizar. Fiz seis anos de terapia. Fez-me muito bem. Fui por causa de um casamento que finalizava e acabei por trabalhar outras questões, que nem imaginava que estivessem agindo ali naquele caso. Melhorou minha relação comigo e consequentemente com o mundo. Mas é sempre um mergulho doloroso. Feridas narcísicas mexidas, remexidas e a gente tem que crescer e encarar que nem tudo é verdade e que nem tudo é mentira. Eu prefiro acordar. Por isso minha poesia é muito mais dura que leve.

BAP4: Se, por exemplo, um poeta tailandês te pedisse para explicar a ele o que vem a ser a poesia contemporânea mineira, a poesia contemporânea brasileira e o nosso país atualmente, o quê você diria para ele?

Adriane: Diria que a  poesia contemporânea mineira está tendente a ser direta e objetiva sem abrir mão de todo lirismo. Creio que, num todo -  com a exceção do pessoal que está criando um novo idioma a que ninguém possui entendimento -  temos uma poesia ancorada na tradição, porém, nova ( e não estranha – faço aqui a mesma distinção que faz Carlos Felipe Moisés, que o novo possui bases na tradição e o estranho não se acha em nada). Falo de uma poesia mais recente, que quer comunicar. Diria ainda que a poesia contemporânea é bastante diversificada, onde cabem vários estilos e acho isso muito bom. Creio que revelam uma diversidade que só a democracia permite. Quanto ao meu país eu diria que estamos, no momento confuso, tentando nos encontrar. E espero que nosso caminho seja sempre o democrático.

BAP5: Adriane, sua formação original é História. Creio que o saber adquirido na sua graduação exerça alguma influência na sua forma de escrever. Se isso for verdade, você poderia nos dizer até que ponto conhecer a História a influenciou e influencia? E, se esse conhecimento abriu horizontes para novos conhecimentos, tipo filosofia, sociologia, antropologia, psicanálise e/ou outros mais?

Adriane: Ter estudado História me ensinou sobretudo a ler, a perceber entrelinhas, a contextualizar e  duvidar. Isso não tem preço e sua importância em minha vida é fundamental. Hoje, o que mais gosto de ler (há uns quatro anos, na verdade) é filosofia. Costumo revezar minhas leituras entre poesia, filosofia, ficção e crítica literária.

BAP6: Você escreve, dentre outras coisas, literatura infanto-juvenil. Pressupõe- se que você tenha lido bastante na sua infância e juventude. Na sua opinião, qual a importância de se começar a ler cedo e de que modo isso pode ser estimulado às crianças de hoje em dia? Complementado essa pergunta, gostaria de saber qual a sua opinião sobre a situação da literatura no mundo acadêmico atual?

Adriane: Sim, li muito cedo e fui encantada pelos livros. Minha casa não teve televisão até muito tarde, eu já era adolescente quando ela chegou. Não tínhamos dinheiro para comprar e isso acabou ajudando a que eu passasse mais tempo na biblioteca escolar. Ler cedo é fundamental porque pode desenvolver o gosto. Mas também nunca é tarde, porém mais difícil, creio. Minhas filhas foram acostumadas com livro desde que estavam na barriga. E sempre levei em livrarias e bibliotecas para a escolha de livros. No Dia do Livro, comemoramos como se fosse Dia da Criança. Isso tudo fez com que o livro não tomasse ares de obrigação e sim de presente, de brinquedo, de festa.
Eu não posso dizer exatamente sobre a literatura no mundo acadêmico atual porque não frequento este meio. Mas costumo ler aqui e ali, vou a palestras de acadêmicos. O que percebo, limitada ao que percebo, é que há uma defasagem entre a literatura que estudam e a literatura que tem acontecido.

BAP7: Pela sua biografia, observamos que você desempenha diversas atividades além de escrever. De que modo você se dedica a essas outras atividades? Como você divide seu tempo para exercer todas elas?

Adriane: Ah, ufa! Nem eu sei. Ponho umas coisas no automático e vou. E outra é que aprendi que o difícil é começar. Começou, a gente vai. Mas, ufa!

BAP8: Você considera o lazer importante para a criatividade dos artistas? Se você concorda com isso, de que maneira isso a inspira e quais são suas atividades preferidas nesse sentido? Complementando essa pergunta, qual sua opinião sobre o " ócio criativo"?

Adriane: Acho o lazer importantíssimo. Eu mesma tenho vezes de, apesar de gostar de estar em casa escrevendo, lendo, ter que sair e dar uma volta na Lagoa da Pampulha pra respirar. A poesia me deixa num mundo muito denso, muito pra ela. Se eu não arejo a própria poesia para. Asfixia. Eu me alimento para a poesia de quando não estou escrevendo poesia. Acho que Domenico De Masi é um homem que conseguiu ver o trabalho como meio e não como finalidade. A finalidade é a vida.


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Entrevista realizada pela equipe do BAP:
Denise Moraes, Andrea Guarçoni e Marcelo Mourão