segunda-feira, 23 de março de 2015

SEGREDO


por Maria Balé




Quando vais parar com esses delírios? E com as roupas rasgadas. E com essa cara suada. E com esses olhos esbugalhados. Vocifera, sem tirar os olhos do buraco da agulha que escapa às investidas do lambido fio de linha branca.



Indiferente à eletricidade da mãe, ao sumiço do botão da blusa e ao espinho encravado nos pés sujos, a menina ofega sobre o sapo com asas, a formiga vestida de noiva, a lesma bailarina e a aranha com olhos azuis.



Da idade, contemporiza o pai. Poeta, segreda-lhe o avô.



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Maria Balé é  pós-graduada em Comunicação Corporativa pela PUC de São Paulo, 
fotógrafa, produtora de textos e escritora de contos.





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