segunda-feira, 16 de março de 2015

Ola e buenas



por Vera Molina


Não recordo se foi a famosa antologia de contos Os nove do Sul, editada nos anos 1970, da qual participaram vários autores conhecidos, entre eles, Moacyr Scliar e Tania Faillace, adquirida no Bric da Redenção, ou após palestras que se sucediam aos sábados de manhã promovidas pela Coordenadoria do Livro da Secretaria Municipal da Cultura de Porto Alegre, que encontrei o autor Aldyr Schlee.

O escritor é nascido em Jaguarão, embora tenha morado grande parte de sua vida em Pelotas, onde atuou como promotor público e professor universitário. Sendo Schlee nascido em Fronteira, também ele tinha uma ponte que o levava para um outro país de fala espanhola.

Eu morava em Porto Alegre há uma década e nunca deixava de me imaginar em Uruguaiana, melhor ainda se atravessando a ponte para Paso de los Libres. Li Schlee talvez porque alguém recomendou em palestra e, naquela época, no intervalo do cafés nos dirigíamos para as mesas arrumadas no saguão do Teatro Renascença e escolhíamos mais de um livro daqueles que haviam sido mencionados.

A obra que tenho hoje em mãos me foi recomendada no dia que autografei a segunda edição da novela Quarentena, em 2011, na Palavraria, em Porto Alegre. Um amigo que ocupou muitos cargos na Secretaria da Cultura (municipal e estadual), esse sim um doutor em literatura, falou-me com tanto prazer no livro de contos que, lidos em qualquer ordem, formavam um romance porque todos eles eram fragmentos (embora contos completos) da suposta história de como teria sido a vida de Carlos Gardel se tivesse nascido em Taquarembó (Uruguai), na concepção de doze vozes femininas.


O primeiro conto narra a história da filha de um fazendeiro que levanta todas as manhãs de madrugada para receber o leite das mãos do filho do tambeiro, que apenas diz “ola” ao se ajoelhar para derramá-lo na vasilha, sem que seus olhares se encontrem, e “buenas” quando tem às mãos o recipiente vazio e volta-se para ir embora.

A narradora-protagonista, Clara, adota a segunda pessoa do singular, já outros contos são narrados de diferentes formas.


Clara segue sua rotina com o filho do tambeiro desde a sua meninice até a idade em que seus pais lhe arranjam um casamento.

Os limites do impossível: contos gardelianos é da Editora ARdoTEmpo.


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VERA MOLINA é graduada em Letras e pós-graduada em Teoria da Literatura pela PUC-RS. 
Autora de livros infanto-juvenis, novelas e contos, integra várias 
antologias de conto e poesia, inclusive como organizadora. 




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