domingo, 11 de janeiro de 2015

POESIA NA BOCA. "Desexistir" de Frederico Barbosa

POESIA NA BOCA
"DESEXISTIR" de Frederico Barbosa
Voz: Adriana Aneli

Quando eu desisti
de me matar
já era tarde.

Desexistir
já era um hábito.

Já disparara
a autobala:

cobra-cega se comendo
como quem cava
a própria vala.

Já me queimara.

Pontes, estradas,
memórias, cartas,
toda saída dinamitada.

Quando eu desisti
não tinha volta.

Passara do ponto,
já não era mais
a hora exata.

- frederico barbosa, Na Lata

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