segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

POESIA NA BOCA: Instante - Adriana Aneli Costa Lagrasta

2 comentários:

  1. Não tenho autorização para responder pela poeta, mas me dou ao luxo, querida amiga e poeta Helena da Rosa, a, num diálogo crítico, dizer-te o quanto impressionado fiquei com este poema, INSTANTE. Quase inacreditável este poema, tão ricas as imagens, tão múltiplo, sem perder o equilíbrio, seu ritmo. Uma versificação de luxo! O tema a debruçar-se sobre "os nossos poucos, tão poucos". As incontáveis e paradoxalmente exuberantes precariedades. No entanto, as fragmentações emocionais são o que "desperta-se em fúria". A amplidão do sentido chega a impedir o crítico de anotar acerca do poema e simplesmente reproduzir muitos versos, tão reveladores. Uma recorrência na lírica de Adriana Aneli são os desfechos. "porque tudo é sempre um grande ânimo / pesado ânimo / dentro de nós." A poeta a cada novo poema aproxima-se mais e mais de atingir o ápice da estética verbal. Impossível não se impressionar como Adriana consegue, com completude, trazer à tona a condição humana na sua maior especificidade. Enquanto pequenas e grandes e repetidas ruínas, a verdade é que, opostamente, um ânimo impede que caiamos. O que não impede que, mesmo sendo ânimo, e nos segurando, pese, e como pesa! Genial, poeta...

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